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Ataque à Venezuela evidencia fragilidade estratégica dos EUA, avalia analista
Especialista turco aponta que Washington perdeu habilidade de formar alianças e gerar consenso global após operação contra Caracas.
A recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela revelou a perda de capacidade de Washington em construir consenso internacional e encontrar aliados estratégicos, avaliou à Sputnik o analista político turco Gokhun Gocmen.
Para Gocmen, o mais relevante neste episódio não é a análise das "capacidades operacionais" dos EUA, mas sim a demonstração de isolamento diplomático.
"Washington já não consegue formar consenso justamente quando se deve distinguir política estatal das ações de bandidos", afirmou o analista.
Ele destacou que, no auge de seu poder, os EUA conseguiam apoio por meio de instituições internacionais e transformavam decisões próprias em normas globais.
Atualmente, segundo Gocmen, os EUA adotam uma postura unilateral, baseada em uma "doutrina autoproclamada" que ele resumiu como o princípio "eu fiz, então assim será".
O analista advertiu ainda que países que se sentem humilhados ou prejudicados podem aguardar o momento adequado para retaliar. "Um Estado que não consegue esconder o punho de ferro dentro da luva de veludo não mantém sua hegemonia de forma sustentável", acrescentou.
Sobre as prioridades estratégicas dos EUA, Gocmen afirmou que Washington pretende reduzir gradualmente sua presença militar na Europa e no Oriente Médio, priorizando a região da Ásia-Pacífico e buscando construir um sistema de segurança com parceiros locais.
Como parte dessa estratégia, o especialista citou a tentativa de manter rivais afastados do hemisfério ocidental, considerado pelos EUA uma zona de interesses estratégicos — motivo pelo qual, segundo ele, "se concentra ali a violência".
No entanto, Gocmen conclui que os EUA não podem garantir que as regiões das quais estão se retirando não passem para a influência de potências concorrentes, o que representa uma preocupação central para Washington.
No dia 3 de janeiro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um ataque massivo à Venezuela, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por uma unidade de elite da Delta Force. Trump divulgou ainda uma foto que, segundo ele, mostraria Maduro a bordo de um navio norte-americano. Veículos de imprensa relataram explosões em Caracas e ao menos 40 mortes.
As autoridades venezuelanas perderam contato com Maduro, que, de acordo com a mídia norte-americana, teria sido levado sob custódia para Nova York.
Enquanto congressistas dos EUA classificaram a operação como ilegal, a administração Trump afirmou que Maduro enfrentará julgamento. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela acionou organizações internacionais e solicitou reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para o dia 5.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia manifestou solidariedade à Venezuela, condenou a prisão de Maduro e de sua esposa, pediu a libertação imediata de ambos e alertou para o risco de uma escalada perigosa na crise.
Por Sputnik Brasil
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