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Trump derruba Maduro e declara que EUA governarão a Venezuela

04/01/2026
Trump derruba Maduro e declara que EUA governarão a Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Foto: Reprodução / Instagram

Forças armadas americanas capturaram neste sábado, 3, Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, e os levaram para os EUA, onde enfrentam acusações criminais. É o desfecho de uma campanha de meses liderada por Donald Trump para depor o ditador venezuelano. O golpe ao ditador - após 4.648 dias no poder na Venezuela - foi acompanhado de bombardeios e explosões em instalações militares por cerca de 30 minutos durante a madrugada. Antes do fim do dia, Maduro e Cilia já estavam detidos em território americano.

Horas depois da operação, em uma entrevista coletiva, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela até que uma transição de poder adequada possa ser organizada, sem especificar como isso se dará. Também disse que vão controlar as reservas de petróleo do país - as maiores do mundo. Não ficou claro se ele se referia à ocupação da Venezuela por forças americanas, embora tenha dito não temer a presença de "tropas em solo" - algo que prometeu em campanha não fazer.

"Vamos extrair uma quantidade tremenda de riqueza do subsolo, e essa riqueza irá para o povo da Venezuela e para pessoas fora da Venezuela que costumavam estar na Venezuela, e também irá para os EUA na forma de reembolso pelos danos que esse país nos causou", disse Trump.

Não havia ontem sinais evidentes de presença militar dos EUA na Venezuela, enquanto Caracas avaliava os danos e o impacto do ataque ao regime fundado por Hugo Chávez, sucedido por Maduro em 2013.

Inicialmente, Trump afirmou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, havia conversado com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, e ela havia demonstrado intenção de cooperar com os EUA. Segundo jornais americanos, Delcy foi empossada em uma cerimônia secreta em local desconhecido. Em declaração à nação, porém, Delcy não indicou sinais de cooperação. "Só existe um presidente neste país, e o nome dele é Nicolás Maduro Moros", disse Rodríguez.

O ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino López, condenou os bombardeios em diferentes regiões do país e anunciou a ativação de todas as capacidades militares para a defesa do território nacional. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, considerado um dos principais executores do regime, pediu calma.

Transição

Pela Constituição venezuelana, em caso de queda de Maduro, o poder passaria para Delcy, indicada pelo ditador. Os EUA não reconhecem Maduro como presidente legítimo, e a oposição venezuelana afirma que o presidente de direito é o político exilado Edmundo González Urrutia. Trump afastou a possibilidade de a líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, assumir o cargo. "Ela não tem o apoio ou o respeito dentro do país", afirmou. María Corina celebrou a operação e defendeu o nome de Urrutia para presidente. O Conselho de Segurança da ONU se reunirá amanhã para abordar a crise.

Operação

A ação dramática coroou uma intensa campanha de pressão do governo Trump sobre o país sul-americano e seu líder. É a ação americana mais direta para alcançar uma mudança de regime desde a invasão do Iraque em 2003, com a queda de Saddam Hussein.

Ao lado de Trump, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse que as forças americanas ensaiaram suas manobras durante meses, aprendendo tudo sobre Maduro - onde ele estava e o que comia, bem como detalhes sobre seus animais de estimação e as roupas que vestia. A operação foi batizada de Resolução Absoluta.

"Pensamos, desenvolvemos, treinamos, ensaiamos, analisamos, ensaiamos novamente e novamente", disse Caine, afirmando que suas forças estavam "prontas" no início de dezembro. "Não para acertar de primeira, mas para garantir que não haveria erros." Trump elogiou reiteradamente a ação e disse achar que não seria necessário um segundo ataque.

Uma fonte da CIA dentro do governo venezuelano monitorou a localização de Maduro nos dias e momentos que antecederam sua captura, segundo o New York Times.

Maduro e Cilia foram capturados no forte Tiúna, o maior complexo militar da Venezuela, visto em chamas após explosões. O extenso complexo é sede do Ministério da Defesa e do comando do exército.

Trump afirmou à Fox News que as forças americanas haviam praticado a extração em uma réplica de um prédio. Depois, na entrevista coletiva, disse que Maduro tentou se esconder em um abrigo seguro, mas foi pego antes pelos agentes.

A operação foi realizada pela Força Delta, unidade de elite do Exército dos EUA, e não resultou em baixas americanas. Segundo Trump, alguns agentes foram feridos, mas não corriam risco de vida.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram helicópteros das forças de operações especiais sobrevoando Caracas durante a madrugada, enquanto múltiplas explosões iluminavam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas.

Moradores relataram ainda uma queda de energia na região sul da cidade, nas proximidades da base militar. Assustados, muitos deles foram para as ruas. O regime disse que a operação atingiu civis, mas a informação não foi verificada de forma independente.

Extradição

Maduro e Cilia foram retirados de helicóptero de Caracas e levados para o porta-aviões USS Iwo Jima - uma das embarcações da flotilha enviada pelos EUA ao Caribe em agosto. Na primeira imagem divulgada de Maduro, ele aparece usando um conjunto de moletom cinza, vendado e, com as mãos algemadas, segurando uma garrafa de água.

Não estava claro como decorreu a viagem até os EUA, mas o casal desembarcou no início da noite de um avião na Base da Guarda Aérea Nacional de Stewart, em Nova York. Cercado por agentes, Maduro desceu as escadas do avião aparentemente algemado também pelos pés.

Um juiz federal de Nova York imputou a Maduro, sua mulher e outras quatro pessoas quatro crimes, incluindo narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse de metralhadoras. A acusação é semelhante àquela divulgada em março de 2020, que acusava Maduro de chefiar uma organização criminosa de narcotráfico conhecida como Cartel de los Soles. Agências de inteligência dos EUA avaliaram que Maduro está, na verdade, em conflito com um grupo, o Tren de Aragua. Analistas afirmam que o Cartel de Los Soles não existe como uma organização concreta.

Trump havia alertado em novembro que iniciaria ataques terrestres na Venezuela e autorizou operações da CIA, a agência de inteligência dos EUA, no país sul-americano. Ele chegou a anunciar um ataque terrestre que não foi confirmado e afirmou que os dias de Maduro no poder "estavam contados".

A flotilha militar enviada ao Caribe em agosto já bombardeou cerca de 35 embarcações, com um balanço de mais de cem mortes. Desde o início, Caracas afirmava que as manobras pretendiam derrubar o regime venezuelano.

A medida dramática dos EUA é o oposto da clemência que Trump concedeu ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández. Em dezembro, Trump perdoou Hernández, que havia sido condenado a 45 anos de prisão nos EUA por ajudar traficantes a transportar centenas de toneladas de cocaína por seu país rumo ao território americano. Questionado ontem sobre o caso, Trump disse que Hernández havia sido "incriminado". (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.