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Trump ameaça intervir após Irã reprimir protestos contra regime
Donald Trump ameaçou nesta sexta-feira, 2, intervir caso o Irã reprima violentamente as manifestações em curso no país. A ameaça elevou a pressão sobre regime, que tenta conter o descontentamento com a economia em crise. Em resposta ao presidente americano, Teerã alegou que uma intervenção desestabilizará toda a região.
O alerta surge em meio a manifestações que, há quase uma semana, se tornaram violentas, com confrontos entre manifestantes e a polícia. Pelo menos seis pessoas morreram.
Os protestos foram desencadeados pelo alto custo de vida. Eles começaram com o fechamento de comércios em Teerã e se estenderam a outros setores e pelo menos 32 cidades.
As mortes foram registradas no oeste do país, segundo meios de comunicação locais, em meio a confronto entre manifestantes e as forças de segurança, que tentavam conter os protestos.
A atual onda de manifestações foi provocada por uma queda sem precedentes no valor da moeda nacional no domingo, 28. O rial iraniano chegou a valer cerca de 1,4 milhão por dólar americano, prejudicando ainda mais uma economia já fragilizada. Trata-se da maior mobilização popular desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial, desencadeou manifestações em todo o país.
Em uma publicação nas redes sociais ontem, Trump disse que, se o Irã atirasse e matasse manifestantes, os EUA "iriam em seu socorro". "Estamos prontos para entrar em ação", sem explicar o que isso poderia significar na prática.
Os EUA já impuseram sanções a autores iranianos de violações de direitos humanos durante ondas anteriores de protestos, mas Trump tem adotado uma política externa mais incisiva, incluindo o bombardeio de instalações nucleares iranianas no meio do ano passado, mesmo enquanto impulsionava os esforços de paz em Gaza e em outros lugares.
Trump alertou no início desta semana, durante uma reunião com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que o Irã enfrentaria ataques militares caso tentasse reconstruir seus programas de mísseis balísticos ou nuclear, gravemente danificados durante a guerra de 12 dias em junho.
Resposta
Os líderes iranianos reconheceram as legítimas queixas econômicas dos protestos, mas os linhas-duras do regime usaram a ameaça de Trump para retratar alguns dos manifestantes como agentes provocadores dos inimigos do país. Ali Larijani, um alto funcionário da segurança nacional iraniana, alertou os EUA contra a interferência em assuntos internos, afirmando que isso criaria caos na região. Ele insinuou também que poderia colocar soldados americanos em risco.
O Irã tem pouca capacidade de contra-atacar após Israel ter destruído suas defesas aéreas durante a guerra. Mas foi capaz de lançar bombardeios de mísseis que, embora não tenham causado danos estratégicos, sobrecarregaram as defesas americanas e israelenses e deixaram dezenas de mortos. O Irã e seus aliados também já atacaram bases americanas na região.
A república islâmica sofre há anos com um encarecimento desenfreado dos produtos básicos e uma crônica desvalorização de sua moeda.
No último ano, o rial perdeu mais de um terço de seu valor frente ao dólar, enquanto a hiperinflação de dois dígitos enfraquece há anos o poder de compra dos cidadãos, em um país sufocado por sanções internacionais.
Enfraquecido
O movimento de protesto chega em um momento em que o Irã se encontra enfraquecido após os duros golpes sofridos por seus aliados regionais em Gaza, Líbano e Síria.
Ocorre também depois que a ONU restabeleceu em setembro as sanções ligadas ao programa nuclear iraniano. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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