Finanças

Greve dos Correios: empresa desiste de negociação e aguarda decisão do TST

Tribunal já determinou que 80% dos funcionários sigam em atividade para manter serviços

Agência O Globo - 18/09/2026
Greve dos Correios: empresa desiste de negociação e aguarda decisão do TST
Greve dos Correios: empresa desiste de negociação e aguarda decisão do TST

Os Correios desistiram de dar continuidade às negociações com representantes dos trabalhadores no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e apostam no resultado do dissídio coletivo, marcado para a próxima segunda-feira (dia 21).

A Corte vinha mediando as discussões nos últimos dias e, diante da falta de acordo, o movimento sindical decidiu pela greve, que já dura oito dias.

No pedido de dissídio coletivo enviado ao TST, a direção da empresa alegou a necessidade de controlar despesas em meio aos planos de reestruturação. Segundo a estatal, 89% das receitas dos Correios são direcionadas para o pagamento de salários e benefícios, o que tornaria a sua recuperação inviável.

Um dos pontos de consenso é o reajuste salarial de 4,35% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), retroativo a 1º de agosto. Um dos principais impasses são as mudanças propostas pela empresa no plano de saúde. A direção da empresa aguarda o desfecho da sessão, presidida pelo presidente do TST, Vieira de Mello Filho, para melhorar o cenário e obter o empréstimo de R$ 7 bilhões de um grupo de bancos, com garantia da União. A paralisação afeta a qualidade dos serviços prestados pelos Correios.

As principais demandas da empresa:

1/3 de adicional de férias no lugar de 70%

Horas extras na forma da CLT no lugar dos 200%

Exclusão do abono (vale-peru), visto que a empresa está gerando prejuízos recorrentes

Retorno do registro de ponto eletrônico

Retorno do cálculo de dimensionamento de unidades (demanda vs capacidade instalada)

Retirada da condição de mantenedora do plano de saúde, com a manutenção do plano ainda com subsídio da empresa ao empregado. Na prática, a empresa deixa de correr o risco atuarial em sua totalidade, que representa provisões de quase R$ 600 milhões.