Finanças

Em entrevista a Ema Jurema, ministro relembra fila do osso registrada pelo EXTRA

Foto de Domingos Peixoto, publicada em setembro de 2021, venceu o Prêmio Vladimir Herzog na categoria fotografia

Agência O Globo - 17/09/2026
Em entrevista a Ema Jurema, ministro relembra fila do osso registrada pelo EXTRA
Ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Reprodução

Em entrevista exclusiva concedida nesta quinta-feira a Ema Jurema, repórter-mascote do EXTRA, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, relembrou a fila do osso registrada pelo fotógrafo Domingos Peixoto. A foto — que foi capa do jornal em setembro de 2021 e repercutiu em todo o Brasil — retratou a dor da fome e venceu a 44ª edição do Prêmio Vladimir Herzog na categoria fotografia.

A foto premiada mostrava pessoas em busca de ossos e restos de carne, em um caminhão no bairro da Glória, na Zona Sul do Rio.

Durante a entrevista, Ema Jurema citou os bons números da economia no atual governo, mas indagou ao ministro sobre o custo de vida ainda elevado nos supermercados. Em sua resposta, Durigan fez menção aos efeitos do governo anterior e à fila do osso.

A renda do brasileiro ficou baixa no governo Bolsonaro, e o mundo mudou muito. As pessoas hoje são demandadas em hábitos de consumo. O que a gente precisa fazer? Seguir melhorando. Se os números estão bons na economia, confia, Ema. A renda do trabalho do Brasil hoje melhorou muito. O prato de comida, o arroz, o feijão, a proteína, a salada e a batata frita, o preço está alto, porque nós herdamos um patamar alto. Vamos continuar trabalhando para que isso não cresça, e o seu salário dê conta de comprar mais. Então, não dá para voltar atrás e mandar as pessoas para a fila do osso — disse o ministro.

A fotografia

Segundo Domingos Peixoto, a foto A Dor da Fome nasceu após uma declaração do então presidente Jair Bolsonaro, de que a população tinha que comprar fuzil, e não feijão. Diante disso, a equipe de reportagem da editoria Rio produziu uma reportagem sobre a opinião das pessoas em relação a essa fala, mostrando a realidade de quem passava por necessidades.

Foi assim que o fotógrafo conheceu Luis Vander, na época com 39 anos, que vivia nas ruas da Glória.

— O Vander mostrou como sobreviviam com uma caixa cheia de pelanca e sal. Ele disse que fazia uma mistura com as doações, e era o que ele e a esposa comiam — lembra Domingos, que destacou o trabalho em equipe, envolvendo repórteres, motoristas e editores, para que se chegasse à imagem premiada.

Depois de uma primeira reportagem publicada, um mês depois, o fotógrafo voltou à Glória para uma nova pauta, a partir da informação que Vander deu sobre o caminhão que fazia ponto na região às terças e quintas-feiras para distribuir os restos de carne aos moradores de rua. Foi quando a foto A Dor da Fome foi feita e se tornou a manchete do EXTRA.