Finanças

CEO da Revolut comprou superiate que pertenceu a Vorcaro usando ChatGPT

Transação avaliada em € 350 milhões driblou taxa de corretagem e virou alvo de disputa judicial

Agência O Globo - 17/09/2026
CEO da Revolut comprou superiate que pertenceu a Vorcaro usando ChatGPT
Sede do banco Revolut - Foto: ANSA

O CEO do banco digital Revolut adquiriu um superiate avaliado em € 350 milhões (US$ 404 milhões) após identificar seu antigo proprietário por meio do ChatGPT. A informação foi revelada pelos advogados em documentos apresentados à Justiça, que negam acusações de que ele teria burlado o pagamento de milhões de libras em comissão. A embarcação pertenceu a Vorcaro, CEO de uma empresa e atualmente preso por acusações de fraude.

A empresa de corretagem de iates Cecil Wright & Partners havia processado anteriormente Nik Storonsky, alegando que ele evitou pagar cerca de € 17,5 milhões em comissão ao desconsiderar a corretora e comprar o iate diretamente.

Os advogados de Storonsky refutaram as acusações, afirmando que a Cecil Wright induziu seu family office ao erro e ocultou a identidade do proprietário anterior do iate. As negociações foram interrompidas depois que o antigo proprietário brasileiro — não identificado na ação judicial — foi preso em novembro de 2025, conforme documentos do Tribunal Superior britânico.

A Cecil Wright identificou o iate que ainda estava em construção. A embarcação foi originalmente encomendada por Patrick Dovigi, empresário canadense e ex-jogador de hóquei no gelo, antes de ser vendida a Vorcaro durante a construção, em 2024. A prisão do banqueiro foi antecipada por Lauro Jardim, colunista do O GLOBO.

O processo revela um cenário de pouca transparência nas negociações de iates de ultraluxo, onde um seleto grupo de construtores navais e intermediários organiza compras que chegam a centenas de milhões de dólares através de family offices e empresas offshore.

“O Sr. Storonsky já sabia que o Sr. Dovigi era o proprietário anterior do iate, tendo descoberto isso por meio de uma pesquisa no ChatGPT com informações disponíveis publicamente”, afirmou seu advogado nos documentos de defesa que foram tornados públicos nesta semana.

De acordo com os advogados do bilionário da Revolut, considerado o homem mais rico do Reino Unido, com patrimônio estimado em cerca de US$ 20,4 bilhões, a Cecil Wright não apresentou Storonsky a Dovigi e também não participou das negociações da transação.

Storonsky soube da identidade do proprietário brasileiro apenas três dias após a prisão, quando a corretora de iates o informou, segundo seu advogado.

“Continuaremos defendendo nossa versão dos acontecimentos que levaram à compra pelo Sr. Storonsky e estamos prontos para apresentar provas no tribunal”, disse Chris Cecil-Wright, fundador da Cecil Wright, em e-mail enviado à imprensa.

A corretora alegou que Storonsky e Dovigi fecharam o acordo com o intuito de reduzir o preço do iate e evitar a comissão.

Um porta-voz da Revolut não comentou o caso. Representantes da Lürssen e de Dovigi não responderam aos e-mails da Bloomberg solicitando esclarecimentos.