Finanças

Banco Central reduz taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano em quinto corte consecutivo

Corte de 1,25 ponto percentual desde março marca alívio nos juros básicos da economia

Agência O Globo - 16/09/2026
Banco Central reduz taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano em quinto corte consecutivo
Banco Central - Foto: Reprodução

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu nesta quarta-feira (16) o quinto corte consecutivo da Taxa Selic, reduzindo em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Essa decisão se dá em um contexto de dados mais favoráveis para o controle inflacionário, em sua última reunião antes das eleições presidenciais. Com essa queda, os juros básicos da economia brasileira atingem o menor nível desde março de 2025 (13,25%).

Em um comunicado sucinto e sem muitas novidades, o BC optou por não sinalizar as próximas reuniões, devido aos riscos relacionados ao cenário de inflação e à incerteza acima do usual.

"O cenário atual, caracterizado por um significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirmou o comunicado do Copom desta quarta.

O colegiado reiterou que a "magnitude total do ciclo de calibração" será definida com base em novas informações, buscando garantir a convergência da inflação para a meta.

Desde março, quando o ciclo de baixa foi iniciado, a redução da Selic totaliza 1,25 ponto percentual. O Banco Central tem adotado um ritmo constante de cortes desde março, o que representa um dos processos de alívio da Selic mais graduais da história do Copom, em meio a diversos riscos, como a guerra no Oriente Médio, as incertezas eleitorais no Brasil e, mais recentemente, o aumento de juros em outros países. Nesta quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) aumentou os juros pela primeira vez desde 2023.

A decisão do colegiado, sob a liderança do presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi unânime e amplamente esperada pelo mercado financeiro. De acordo com um levantamento realizado pelo Valor Pro com 120 instituições financeiras e consultorias, 118 projetavam uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, enquanto as outras duas aguardavam manutenção em 14%.

O Copom calibra a Selic para atingir a meta de inflação de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Nesta reunião, o Copom estima que a inflação oficial (IPCA) deve chegar a 3,2% no primeiro trimestre de 2028, prazo em que a autoridade monetária trabalha para atingir a meta de 3,0%.

Essa projeção é idêntica à do encontro anterior, em agosto. Para o final de 2026, a projeção foi elevada de 5,1% para 5,2% - acima do limite de tolerância da meta - assim como para o término de 2027, de 3,8% para 3,9%.

No comunicado, as mudanças foram sutis. Em relação à inflação, o BC destacou que, após o IPCA de agosto (-0,32%) ter surpreendido positivamente, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram nas divulgações mais recentes, voltando ao intervalo da meta, embora ainda acima de 3,0%.

Entretanto, manteve a mensagem de monitorar de perto a distância das expectativas de inflação em relação à meta. Segundo o Boletim Focus, a mediana para o fim de 2026 é de 4,9% e, para 2027, de 4,3%, enquanto no Copom anterior as projeções eram de 5,0% e 4,2%, respectivamente.

"O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos, na medida em que isso contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação", acrescentou.

Em termos de atividade econômica, o BC observou uma moderação gradual, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente. O mercado de trabalho permanece aquecido.

Entre os dados divulgados entre as reuniões do Copom, destaca-se o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre (0,5%), que surpreendeu pela composição, mostrando setores cíclicos mais fracos. Outros indicadores setoriais do terceiro trimestre mantêm essa tendência.

Os indicadores correntes de atividade, segundo o BC, permanecem consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026.

O Banco Central também manteve a mensagem de que está acompanhando os desenvolvimentos da política fiscal doméstica, que impactam a política monetária e os ativos financeiros, "reforçando a postura de cautela em um cenário de maior incerteza". O colegiado não alterou sua análise sobre o ambiente externo, mesmo com o início do processo de alta de juros nos EUA.

"O ambiente externo permanece incerto, em decorrência da indefinição sobre os conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em economias avançadas. Esse cenário exige cautela de países emergentes em um ambiente de alta volatilidade de preços de ativos e commodities", completou.

Do mesmo modo, o balanço de riscos continuou o mesmo do Copom de agosto, destacando que os riscos para a inflação permanecem mais elevados do que o usual, tendendo a uma inflação superior à projeção oficial (assimetria altista).

Os riscos de alta são:

- Desancoragem das expectativas de inflação por um período prolongado, com impactos potenciais de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, além de efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia;

- Maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada, devido a um hiato do produto mais positivo;

- Conjunção de políticas econômicas interna e externa que causem impacto inflacionário superior ao esperado, como uma taxa de câmbio persistentemente depreciada;

- Estímulos à demanda agregada, especialmente ao consumo, resultando em crescimento da atividade econômica acima do produto potencial e enfraquecendo os canais usuais de transmissão da política monetária.

Os riscos de baixa são:

- Eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que o projetado, impactando o cenário inflacionário;

- Desaceleração global mais pronunciada, em razão de choques no comércio e no petróleo, e um cenário de maior incerteza;

- Redução nos preços das commodities, gerando efeitos desinflacionários.