Finanças

TCU alerta governo sobre risco de manter previsão de receitas com dividendos

Receita alcançou R$ 3,1 bilhões no ano até julho; estimativa inicial era de entrada era R$ 28 bilhões

Agência O Globo - 16/09/2026
TCU alerta governo sobre risco de manter previsão de receitas com dividendos
- Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o governo nesta quarta-feira para os riscos de manter na execução do Orçamento a previsão integral de arrecadação com a tributação de dividendos. Na sessão, os ministros da corte aprovaram parecer da área técnica que monitora os resultados fiscais e a execução orçamentária financeira da União relativos ao 3º bimestre de 2026.

Na avaliação dos auditores, a manutenção de uma receita que ainda não se concretizou pode contribuir para uma projeção mais favorável do resultado fiscal. O processo foi relatado pelo ministro Antonio Anastasia.

A taxação dos dividendos foi criada com o objetivo de compensar a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem ganha até R$ 5.000, promessa de campanha de Lula. Para 2026, esse benefício custará R$ 28 bilhões, nos cálculos do Fisco.

Os auditores relatam que a arrecadação acumulada até julho alcançou R$ 3,15 bilhões, diante de uma projeção anual reestimada em R$ 17,20 bilhões.

"A confirmação desse valor exigirá a arrecadação adicional de R$ 14,05 bilhões até o encerramento do exercício. Isso equivale à média mensal de R$ 2,81 bilhões entre agosto e dezembro, aproximadamente 6,24 vezes a média de R$ 0,45 bilhão observada até julho", aponta o relatório.

Segundo os auditores, a projeção de arrecadação com a taxação de dividendos eleva o risco de superestimação das receitas e pode prejudicar a avaliação sobre a necessidade de congelamento de despesas. O risco é agravado pela margem de apenas R$ 10,77 bilhões em relação ao limite inferior da meta no relatório de acompanhamento de receitas e despesas do terceiro bimestre de 2026.

Na ausência de compensações, eventual frustração adicional da projeção reestimada tem potencial de reduzir ou eliminar essa margem, elevando o risco de que se torne necessária a limitação de empenho e movimentação financeira prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), diz o relatório.

Um eventual frustração adicional da projeção reestimada tem potencial de reduzir ou eliminar essa margem, elevando o risco de que se torne necessária a limitação de empenho e movimentação financeira prevista na LRF.

No último relatório bimestral de receitas e despesas, publicado em julho, o governo anunciou que ainda esperava arrecadar mais R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro com a taxação dos dividendos, embora o montante recolhido nos primeiros seis meses tenha representado somente 5% do total inicialmente previsto.

Na próxima semana, o governo divulgará o novo relatório com as projeções do Orçamento para o ano.

A meta fiscal para 2026 prevê superávit equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 34,3 bilhões. Há margem de tolerância que permite um resultado zero, já que é permitida uma variação negativa da meta em até 0,25% do PIB.

Caso a projeção de receita seja inferior a esse piso, o governo precisa utilizar o mecanismo do contingenciamento e limitar a execução de gastos.