Finanças
Banco Central deve cortar a Selic de 14% para 13,75% ao ano
Expectativa é de comunicado cauteloso sobre continuidade do ciclo de queda em novembro.
Em sua última reunião antes das eleições presidenciais, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve manter o ritmo de corte de juros em 0,25 ponto percentual, reduzindo a Taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (dia 16).
A expectativa é que o Copom emita um comunicado cauteloso, sem direcionar a continuidade ou não do ciclo de queda no encontro subsequente, em novembro, um cenário que divide o mercado financeiro diante das incertezas económicas e eleitorais.
Segundo levantamento realizado pelo Valor Pro com 120 instituições financeiras e consultorias, 118 projetam uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, para 13,75%. As outras duas esperam manutenção em 14%. As apostas para a reunião de novembro estão divididas: 60 instituições projetam pelo menos mais um corte da Selic e 59 indicam uma pausa na redução dos juros.
Possibilidade de quinto recuo
Se confirmada a queda da Selic, será o quinto recuo da taxa desde março, quando se iniciou o ciclo de cortes. Os juros básicos atingirão o menor nível desde março de 2025 (13,25%). Desde então, o Banco Central tem seguido um ritmo gradual de cortes, chamado de “calibração”, totalizando até agora 1,0 ponto percentual, de 15% para 14%.
Como tem sido praxe, o Banco Central não deu sinalizações sobre seus planos para a decisão desta semana em suas últimas comunicações. Na última reunião, em agosto, reforçou que o aumento da incerteza, as distâncias das expectativas inflacionárias em relação à meta e os riscos elevados em torno do cenário base para a inflação demandavam “cautela e serenidade” do Copom.
Inflação
A única garantia que o BC forneceu é que sua decisão manteria a “restrição adequada” da Selic para assegurar a convergência da inflação à meta. Na ata, acrescentou que a inflação seguia pressionada pela demanda, mesmo com os efeitos da Selic elevada — que restringe o crescimento econômico —, sugerindo a manutenção desse caráter contracionista.
“Devido à dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o Banco Central em agosto.
O Copom calibra a Selic para alcançar a meta de inflação, que é de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Em agosto, o BC projetava que a inflação oficial (IPCA) alcançaria 3,2% no primeiro trimestre de 2028, prazo que a autoridade monetária trabalha atualmente para atingir a meta de 3%.
Expectativa
A expectativa majoritária do mercado é que essa projeção se mantenha no Copom desta quarta-feira, o que potencializa o corte esperado para 13,75%. Será com esse nível de Selic ao final do ano que o BC realizará os cálculos para suas projeções oficiais de inflação, uma vez que é a mediana contida no Boletim Focus.
Outros fatores que influenciam a expectativa de baixa de 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira incluem novos sinais de desaceleração da atividade econômica, especialmente do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre (0,5%), além de resultados melhores do que o esperado para a inflação corrente, como o IPCA de agosto (-0,32%), embora a inflação de serviços — que pesa mais na política monetária — continue resiliente.
Por outro lado, as expectativas de inflação para 2026, 2027 e 2028 permanecem bastante acima da meta de 3,0%, segundo o Boletim Focus, com mudanças apenas marginais desde agosto. Para este ano, a mediana é de 4,90% — acima do teto da meta —, para o ano seguinte, de 4,30%, e para o fim de 2028, de 3,80%. Ademais, há o risco de os fatores climáticos afetarem mais a inflação do que o esperado.
Cenário externo
O cenário externo também continua desafiador, embora o câmbio permaneça relativamente estável. Pesam a guerra no Oriente Médio, que voltou a provocar alta do petróleo, com impactos inflacionários globais, e a perspectiva de aumento de juros nos EUA.
Segundo o sócio e estrategista-chefe da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, o cenário doméstico teve evolução mais favorável desde agosto. Ele acredita que a principal mudança em relação ao último Copom foi na atividade, considerando que o PIB do segundo trimestre apresentou uma composição “significativamente mais benigna” para a política monetária, impulsionada pela agropecuária, que é pouco sensível ao ciclo econômico, e pela diminuição do consumo das famílias.
Goldenstein também reconhece que os riscos para a inflação permanecem elevados, citando os preços altos do petróleo, juros longos globais, incertezas sobre a política monetária americana, além de incertezas eleitorais e fiscais e possíveis deteriorações das expectativas. Em sua avaliação, esses pontos exigem cautela do BC, que deve manter o ritmo de corte em 0,25 ponto percentual.
“Esses fatores justificam a manutenção do ritmo em 0,25 ponto percentual e a dependência dos dados, mas não, em nosso cenário base, a interrupção do ciclo. Esperamos, portanto, uma continuidade gradual da calibração até o fim do ano, condicionada à confirmação da desaceleração da atividade e da inflação, além da ausência de depreciação cambial relevante e nova deterioração das expectativas”, avaliou em relatório.
Mensagem de cautela
O economista-chefe da Terra Investimentos, João Maurício Rosal, também projeta a queda da Selic para 13,75% nesta quarta-feira, mantendo uma mensagem de cautela e a possibilidade de novos movimentos. Rosal, no entanto, não prevê um corte adicional em novembro, por ora.
O economista afirma que não está confiante na desaceleração da atividade econômica. Ele acredita que o movimento de novembro vai depender da reação dos ativos financeiros ao resultado das eleições e da sinalização do vencedor da disputa presidencial sobre a situação fiscal.
— O vencedor terá que dar uma sinalização sobre a questão fiscal. A reunião de novembro, a princípio, será complexa, especialmente após as eleições americanas.
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