Finanças
Um ano após crise do metanol, fabricante de bebidas Diageo lança selo antifraude
Iniciativa permite que consumidor verifique procedência legal e segurança
A Diageo, fabricante global de bebidas alcoólicas, lançou um selo antifraude que utiliza inteligência artificial como ferramenta de segurança ao consumidor. A medida foi adotada um ano após a crise do metanol no Brasil.
A ingestão de bebidas falsificadas no ano passado provocou pelo menos 22 mortes e deixou quase 80 pessoas intoxicadas em cinco estados.
De acordo com Paula Lindenberg, presidente da Diageo no Brasil, o Selo Drink Seguro é uma iniciativa da empresa que oferece uma camada extra de proteção, complementando os controles de qualidade e segurança existentes, permitindo ao consumidor verificar a legalidade e a segurança do produto.
— O selo, chamado de Selo Drink Seguro Diageo, é uma tecnologia pioneira antifraude, com 99,99% de segurança contra falsificações. Proporciona mais segurança ao consumidor, permitindo a verificação rápida da integridade do produto antes do consumo. Ao escanear o selo, o consumidor recebe imediatamente um ‘ok’ confirmando que a bebida é segura. Nosso objetivo é prevenir que episódios como o do metanol se repitam no país — afirmou Paula.
Pesquisa
Uma pesquisa realizada pela Diageo revela que a transparência e a garantia de origem são cruciais para o consumidor: 90% dos entrevistados afirmaram que um selo de verificação aumentaria sua confiança.
Para validar a autenticidade, o consumidor deve apontar a câmera do smartphone para o QR Code no selo, direcionando-o para a plataforma Diageo.ID. A câmera lê o selo e, com o auxílio de inteligência artificial, a plataforma valida a autenticidade, confirmando a procedência com a mensagem “selo validado com sucesso”. Caso a leitura não seja identificada na primeira tentativa, o consumidor é instruído a tentar novamente.
Se o resultado continuar como “não identificado”, a recomendação é não consumir. Nesse caso, o consumidor pode preencher um formulário com informações sobre a garrafa não validada, e os dados serão enviados para uma base da companhia, que será compartilhada com as autoridades, segundo Paula:
— Essa iniciativa vai coibir a falsificação.
A CEO da empresa ressalta que o selo também ajudará na credibilidade dos parceiros comerciais, como bares, restaurantes e supermercados, além de proteger as marcas da Diageo.
Cada selo apresenta uma espécie de “impressão digital”, com mais de 27 trilhões de combinações possíveis. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Securetrace, uma empresa especializada em identificação e autenticação de alta segurança.
Tecnologia semelhante já é empregada em produtos que exigem elevado padrão de segurança e autenticidade, como o passaporte brasileiro, as cédulas de 100 reais e no mercado de medicamentos.
— A tecnologia transforma a câmera do smartphone em uma chave de acesso direto à procedência do produto. Cada selo possui uma impressão digital única, protegida por tecnologia anticópia. É um sistema que combina segurança, transparência e facilidade de uso, proporcionando mais confiança ao consumidor — explicou em nota Mario Nicoli Netto, CEO da Securetrace.
Produtos
O selo pode ser encontrado em produtos da marca Diageo, como whiskies Johnnie Walker, Buchanan’s, Old Parr, White Horse, Black & White, Bell’s, The Singleton, Talisker e Bulleit, além dos gins Tanqueray e Gordon’s, das vodkas Smirnoff, Cîroc e Ketel One, a tequila Don Julio, o rum Zacapa e o licor Baileys.
Atualmente, o selo já está presente em 49 produtos da companhia, com 4 milhões de garrafas etiquetadas todo mês desde o início do ano.
No curto prazo, o consumidor pode ainda encontrar garrafas sem selo. Entretanto, segundo Lindenberg, a expectativa é que, a partir do início do ano que vem, todas as linhas de bebidas da Diageo já estejam com o selo. Uma campanha sobre a nova ferramenta será lançada a partir desta terça-feira para alertar os consumidores.
Iniciativa voluntária
Lindenberg enfatiza que essa é uma iniciativa voluntária da Diageo, e as empresas têm autonomia para escolher a tecnologia antifraude que melhor proteja o mercado formal de bebidas e seu portfólio de produtos. Ela também se posiciona a favor de legislações que imponham penas mais severas para crimes de falsificação e venda de produtos adulterados.
Em relação aos casos de mortes e intoxicações do ano passado, pelo menos 66 pessoas foram presas, a maioria em São Paulo, ligadas à falsificação e ao armazenamento irregular de bebidas. Contudo, houve apenas uma condenação em primeira instância confirmada, a de Vanessa Maria da Silva, com pena de sete anos de prisão em regime fechado por falsificação de bebidas vinculada a mortes.
A condenada foi presa em outubro de 2025 em São Bernardo do Campo, durante uma operação em uma fábrica clandestina de bebidas.
No primeiro semestre desse ano, o Brasil registrou 13 casos confirmados de intoxicações por metanol em bebidas, e 22 casos estão sob investigação, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Sistema Único de Saúde (SUS). O metanol é um álcool utilizado industrialmente em solventes e outros produtos químicos, sendo altamente perigoso quando ingerido.
Uma pesquisa da Euromonitor International, encomendada pela Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), indica que a falsificação representa 4,7% do mercado total de bebidas destiladas no Brasil.
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