Finanças

Lula sanciona projeto que cria incentivos para instalação de data centers no Brasil

Iniciativa busca fomentar o setor de tecnologia com benefícios fiscais e contrapartidas sociais.

Agência O Globo - 15/09/2026
Lula sanciona projeto que cria incentivos para instalação de data centers no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © Foto / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio da Silva sanciona nesta terça-feira o projeto de lei que institui o plano de incentivos para o setor de data centers. O texto foi aprovado na Câmara em fevereiro e no Senado no início deste mês.

O projeto foi destravado depois de uma reunião entre o presidente e o presidente do Senado, Omar Aziz (União Brasil-AP), no fim de agosto.

O texto estabelece que as empresas de data centers deverão contratar, para ter o benefício, a totalidade da sua demanda de energia elétrica por meio de contratos de suprimento ou autoprodução proveniente de geração a partir de fontes renováveis, ou de baixa emissão. Os senadores incluíram o termo "baixa emissão" para permitir a contratação de gás natural pelas data centers.

Pelo chamado Redata, as empresas do setor poderão contar com a suspensão e posterior redução a alíquota zero de tributos como IPI, PIS/Pasep, Cofins e Imposto de Importação na aquisição e importação de equipamentos de tecnologia da informação e comunicação destinados à instalação ou ampliação de data centers, além de redução do imposto de importação quando não houver produção nacional equivalente.

O regime será destinado a empresas que implementarem projetos de instalação ou expansão dos centros de processamento de dados no país, incluindo infraestrutura voltada à computação em nuvem, processamento de alto desempenho e treinamento de modelos de inteligência artificial.

A habilitação dependerá de regularidade fiscal e será concedida pela Receita Federal, ficando vedada a adesão de empresas optantes do Simples Nacional.

Como contrapartida, o texto estabelece que ao menos 10% do fornecimento efetivo de processamento e armazenamento de dados deverá ser destinado ao mercado interno ou cedido ao poder público e instituições de pesquisa para políticas digitais e inovação.

Alternativamente, as empresas poderão ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país. Os benefícios fiscais do Redata exigirão uma renúncia fiscal estimada em R$ 7,5 bilhões nos próximos três anos, segundo o governo.

Quem aderir terá ainda que direcionar ao menos 2% dos investimentos beneficiados para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com parte obrigatoriamente aplicada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.