Finanças

BRB afasta ex-diretores após investigação do Banco Master

Decisão foi autorizada por Conselho de Administração a pedido da corregedoria da instituição do Distrito Federal

Agência O Globo - 14/09/2026
BRB afasta ex-diretores após investigação do Banco Master
BRB - Foto: Divulgação

O Banco de Brasília (BRB) afastou da instituição dois ex-diretores e três ex-superintendentes com suspeitas de envolvimento nas irregularidades nos negócios com o Master. Eles foram afastados dos cargos no final do ano passado, mas continuavam dando expediente nas agências porque são concursados. Agora, também deixam de atuar nessas funções.

O afastamento é resultado da abertura de processo administrativo disciplinar (PAD) autorizado pelo Conselho de Administração do banco há três semanas.

Em nota, o BRB disse que os afastamentos foram autorizados a pedido da corregedoria "no âmbito das investigações internas relacionadas ao ecossistema Master".

"O banco reforça que os afastamentos são cautelares e não representam antecipação de juízo em relação ao mérito das investigações", afirmou.

Ao todo, o BRB comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco de Daniel Vorcaro. Parte relevante desses ativos, cerca de R$ 12 bilhões, apresenta indícios de ausência de lastro, inconsistências estruturais e vícios documentais.

As carteiras foram substituídas por ativos entregues pelo Master, mas cujo valor é questionado pelo Banco Central. Por isso, a instituição do DF busca recursos para reforçar seu patrimônio e cobrir o rombo deixado com as transações.

As compras foram feitas durante a gestão de Paulo Henrique Costa, que está preso. Os investigadores sustentam que ele recebeu de Vorcaro seis imóveis de luxo, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões. Cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos. Costa nega irregularidades.

Desde o escândalo Master, o BRB ainda não apresentou nenhum relatório operacional, como as demonstrações dos resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano. A instituição está sendo multada diariamente pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Para cobrir o calote com o Master, o governo do Distrito Federal, controlador do BRB, aguarda um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e busca ajuda do Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar a operação.