Finanças

Risco institucional do país preocupa mais do que risco fiscal, diz chairman do BTG Pactual

André Esteves afirmou que questão econômica é fácil de ser resolvida, e juros podem cair para 7%

Agência O Globo - 14/09/2026
Risco institucional do país preocupa mais do que risco fiscal, diz chairman do BTG Pactual
Risco institucional do país preocupa mais do que risco fiscal, diz chairman do BTG Pactual

O chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta segunda-feira que o aspecto institucional do país o preocupa mais do que o desafio econômico ou fiscal, neste momento. Para ele, a questão econômica é mais fácil de ser resolvida pelo novo presidente eleito, pois já possui fórmulas, caminhos e referências internacionais bem definidos. Mas perder a batalha institucional pode colocar o Brasil num patamar comparável ao México e à Rússia.

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Promessa:

— As dimensões fiscal e institucional andam juntas e não há como ser totalmente separadas. Mas a frente institucional é a batalha principal. A sociedade e o setor produtivo não podem perder essa guerra institucional, pois, se perderem, o país iria para um lugar entre o México e a Rússia. Com todos os seus problemas, desafios e mazelas, o país é melhor do que isso — disse Esteves, que participou da 4ª edição do Seminário Brasil Hoje, realizado pelo Grupo Esfera, um grupo de estudos, pesquisas e debates independente, que reúne empresários, CEOs e autoridades públicas para discutir o futuro do país. O banqueiro, em sua fala, não fez menção a nomes ou citou a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) para explicar seu temor em relação ao risco institucional.

André Esteves contextualizou esse risco dentro do que chamou de guerra do "Brasil institucional contra o Brasil não institucional". Como exemplo do que não pode acontecer nessa degradação, ele citou setores regulares da economia que se tornaram 20% informais e "empresas inexpressivas que criaram rombos de dezenas de bilhões".

Ele alertou que a guerra não está vencida e que a sociedade não pode descansar, pois perder essa batalha institucional significaria um retrocesso significativo.

Eleições no radar

Sobre as eleições presidenciais, André Esteves afirmou que o cenário é de empate virtual de 51% a 49%, tornando estatisticamente muito difícil uma definição no primeiro turno, o que indica que a disputa irá para o segundo turno. Ele ressaltou que não é possível saber quem vencerá, embora a intenção de voto apareça ligeiramente favorável à direita.

A pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (14), indica o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) soma 36%. O levantamento mostra o escritor Augusto Cury (Avante) com 7%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4% e Renan Santos (Missão) com 4%. Pablo Marçal, que também teve o nome incluído na pesquisa, registra 2% das intenções, seguido de Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) com 1% cada.

Esteves enfatizou que qualquer candidato que vença herdará um país muito mais organizado do que em governos passados (como em 1994 ou 2002), contando com inflação entre 4% e 4,5%, US$ 370 bilhões em reservas cambiais e um mercado de capitais pujante.

Para ele, a busca do ajuste fiscal já possui um caminho científico comprovado, e buscar alternativas fora disso é "negacionismo econômico".

— A premissa fundamental é parar de gastar mais do que se ganha, o que é válido tanto para governos quanto para pessoas físicas e empresas.

Ele comparou a política econômica atual a dirigir um carro pisando no acelerador (expansão fiscal) e no freio (aperto monetário) ao mesmo tempo. Ao tirar o pé do acelerador, exige-se muito menos do freio.

— O ajuste não precisa ser drástico: três ou quatro medidas simples seriam suficientes para equilibrar as contas, algo que deve ser tratado com racionalidade e responsabilidade social, e não como pauta ideológica de esquerda ou direita — disse.

Esteves considera a taxa de juros no patamar de 14% "sufocante e não civilizatória", sendo prejudicial para empresas, setor bancário, mercado de capitais e infraestrutura. Ele defende a busca por um patamar de juros civilizatórios em torno de 7%.

— Isso causa um impacto profundo em toda a sociedade, atingindo diretamente a base da pirâmide. Essa queda (de juros) tem um efeito transformador superior a qualquer programa social, política governamental ou pequeno aumento no investimento público — avaliou.