Finanças
Petróleo sobe a US$ 108 após Arábia Saudita fechar oleoduto, com risco a 4% da oferta global do combustível
Reunião entre ministros de Energia de países do Oriente Médio que debateria a gestão do Estreito de Ormuz é adiada
Os preços do petróleo dispararam depois que a Arábia Saudita interrompeu as operações em um importante oleoduto de exportação, após uma série de ataques contra instalações petrolíferas do país na semana passada. A paralisação abalou o mercado ao interromper uma rota essencial para contornar o Estreito de Ormuz durante a guerra comercial entre os Estados Unidos e o Irã.
O petróleo Brent, referência internacional para os preços da commodity, subiu até 3,7%, alcançando mais de US$ 108 o barril, antes de reduzir os ganhos. O tipo Texas (WTI), referência nos EUA, era negociado perto de US$ 103. Às 8h12 (horário de Brasília), o Brent apresentava alta de 3,36%, cotado a US$ 108,13 o barril, enquanto o Texas era negociado a US$ 103,03, com avanço de 2,28%.
A Arábia Saudita anunciou, na noite de sexta-feira, que havia paralisado o oleoduto Leste-Oeste, como medida de precaução após os ataques do dia anterior. Não há indicação de quando as operações serão retomadas.
O fechamento do oleoduto Leste-Oeste se tornou uma medida de proteção após o Irã restringir o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Essa infraestrutura é estratégica, permitindo levar petróleo produzido na região leste, rica em reservas, até a costa oeste saudita, de onde pode ser exportado sem depender da passagem por Ormuz.
A decisão foi motivada por um ataque com drones lançado a partir do Iraque, onde milícias xiitas apoiadas pelo Irã e integrantes da Guarda Revolucionária iraniana atuam.
Reunião sobre Ormuz é adiada
No campo diplomático, foi adiada a reunião que estava agendada para a tarde desta segunda-feira, em Salalah, cidade costeira de Omã, entre o Irã e vários estados do Golfo para discutir a criação de uma rota marítima temporária através do Estreito de Ormuz, segundo o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi.
A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, já havia decidido não participar do encontro, dificultando os esforços diplomáticos para reduzir a escalada das hostilidades em torno do Estreito de Ormuz. O Bahrein também já havia declarado que não participaria.
Os operadores do mercado avaliavam os impactos regionais de um rápido avanço militar dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, ao longo do litoral do Mar Vermelho, no Iémen.
Esse avanço poderia permitir que o grupo ampliasse seu controle sobre o tráfego marítimo no estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais e mais estratégicas rotas de navegação da região.
O fechamento do oleoduto aumenta as preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo, especialmente em meio à crescente tensão militar na região.
Os preços do petróleo acumulam alta superior a 75% neste ano, à medida que o conflito entre Estados Unidos e Irã se espalhou pela região, afetando as exportações e provocando fortes turbulências no mercado de transporte marítimo.
Pelo lado da demanda, o aumento recente das compras da China, maior importadora de petróleo bruto do mundo, também contribuiu para pressionar as cotações da commodity.
A crise no Oriente Médio vem provocando impactos inflacionários sobre a economia mundial, com a alta dos preços do petróleo, do gás natural e de derivados, incluindo o diesel. Após dados dos Estados Unidos mostrarem uma aceleração da inflação em agosto, a expectativa predominante é de que o Federal Reserve, o banco central americano, eleve as taxas de juros nesta semana.
Mesmo antes do ataque ao oleoduto Leste-Oeste, a produção de petróleo da Arábia Saudita já enfrentava pressão. Riad informou recentemente à Opep que sua produção de petróleo bruto caiu no mês passado ao menor nível desde 1990.
Na Arábia Saudita, as reservas armazenadas em Yanbu poderiam sustentar as exportações por cinco a sete dias, mas, a partir desse ponto, ocorreria uma “grande interrupção”, segundo Suvro Sarkar, chefe de pesquisa de energia do DBS Bank. Sem clareza sobre os reparos, a trajetória de curto prazo apontava para um teste de US$ 120 por barril, observou.
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