Finanças

IPCA cai 0,32% em agosto, com queda de 7,63% na conta de luz, diz IBGE

Destaque no resultado foram os preços da tarifa de eletricidade, que ficaram mais baratos, por causa de crédito temporário referente à Usina Hidrelétrica de Itaipu

Agência O Globo - 11/09/2026
IPCA cai 0,32% em agosto, com queda de 7,63% na conta de luz, diz IBGE
- Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação, recuou 0,32% em agosto, informou nesta sexta-feira o IBGE. Em julho, o IPCA registrou ligeira alta, de 0,07%.

No acumulado em 12 meses, o índice subiu 4,22%, mantendo-se abaixo do teto da meta contínua perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Pressão inflacionária:

Recuo:

No ano, o IPCA acumula alta de 3,11%.

Já era esperado que o indicador agregado mostrasse preços comportados no mês passado, com os custos da energia elétrica como destaque de baixa.

A energia elétrica residencial recuou 7,63% no mês. Sozinho, o item teve impacto negativo de 0,33 ponto percentual na variação agregada do IPCA.

Com isso, o grupo de preços da Habitação recuou 1,87% em agosto, o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real, segundo o IBGE.

'Bônus de Itaipu'

Isso porque, no início de julho, a Aneel, agência reguladora do setor elétrico, aprovou a distribuição de R$ 872 milhões referentes ao Bônus de Itaipu de 2025 — o bônus é um valor distribuído aos consumidores de eletricidade quando há saldo positivo na conta de comercialização da usina hidrelétrica controlada por Brasil e Paraguai.

Na prática, a distribuição do bônus se dá na forma de um crédito na conta de luz. Fazem jus aos descontos os consumidores que tiveram pelo menos um mês com consumo abaixo de 350 quilowatts-hora (kWh) em 2025.

Do ponto de vista da inflação, o crédito tem efeito temporário. O IPCA deste mês registrará encarecimento da conta de luz, já que as tarifas voltarão ao valor normal.

Cenário se mantém para o

Apesar do alívio, o resultado de agosto pode ser pouco para mudar as perspectivas para o cenário de inflação.

O ritmo dos reajustes nos serviços e aumentos de alimentos cuja oferta possa ser prejudicada por eventos climáticos decorrentes do El Niño — o fenômeno marcado pelo aquecimento das águas do Pacífico — são os principais riscos citados por especialistas.

E tem os combustíveis. Mesmo com o novo pacote de subsídios anunciado quarta-feira pelo governo, a depender da duração da atual escalada das cotações do petróleo, novas pressões por reajustes poderão surgir.

Esses fatores, temperados por um mercado de trabalho ainda aquecido e medidas do governo que impulsionam a demanda, deverão manter o BC atento.

Desde março, a autoridade monetária leva adiante um ciclo de baixa na política de juros, com cortes cautelosos na taxa básica Selic, hoje em 14% ao ano.