Finanças

IBGE: apenas um em cada cinco motociclistas de app contribui para a Previdência

Entre condutores de motos que não trabalham por plataformas, percentual de contribuintes sobe para 37,1%, aponta pesquisa do IBGE. Categoria está mais exposta a acidentes

Agência O Globo - 04/09/2026
IBGE: apenas um em cada cinco motociclistas de app contribui para a Previdência
IBGE - Foto: Reprodução

O trabalho por aplicativo tem crescido entre motociclistas, mas o amparo previdenciário desse grupo não avança na mesma velocidade. Em 2025, apenas 19,4% dos condutores de motocicletas que trabalhavam por meio de plataformas digitais contribuíam para a Previdência. Entre os motociclistas que não utilizavam aplicativos, a proporção subia para 37,1%, quase o dobro.

Os dados são da pesquisa sobre trabalho por meio de plataformas digitais, divulgada nesta sexta-feira (dia 4) pelo IBGE. O levantamento, feito em conjunto com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho (MPT), permite traçar um retrato de quem utiliza aplicativos para obter sustento no país.

No total, menos de um terço (31%) do 1,2 milhão de condutores de motocicletas no país contribuíam para a Previdência. Mas a parcela entre os que trabalham via plataformas, além de ser menor, chegou a cair 2,2 pontos percentuais em relação a 2024, enquanto entre os não "plataformizados" houve aumento de 0,8 ponto no mesmo período.

Seguridade Social

O próprio IBGE chama a atenção para a situação. Segundo o instituto, uma pequena parcela dos condutores que trabalham por plataformas, sejam motoristas de automóveis ou motocicletas, tinha acesso à seguridade social, embora esteja sujeita, no exercício da profissão, a acidentes e outros riscos relacionados à atividade.

Número de motociclistas de app quase dobra em três anos

O trabalho por aplicativo ganhou espaço entre os motociclistas nos últimos anos. Em 2025, o país tinha 405 mil condutores de motocicletas que trabalhavam por meio de plataformas, pouco mais de um terço (34,4%). Os outros 774 mil (65,6%) não usavam aplicativos. Em apenas um ano, de 2024 para 2025, esse contingente cresceu 15,4%. Entre os demais motociclistas, o avanço foi de 10,9%.

A diferença é ainda maior quando se olha para um período mais longo. Desde 2022, o número de motociclistas que trabalham por aplicativos aumentou 91,9%, passando de 211 mil para 405 mil. Ou seja, quase dobrou em três anos. Já entre aqueles que não usam plataformas, o crescimento foi de apenas 3,1%, de 751 mil para 774 mil.

Cobertura menor também entre condutores de carros

A baixa cobertura previdenciária também aparece entre os motoristas de automóveis que trabalham por aplicativos. Em 2025, apenas um quarto deles (25,5%) contribuíam para o instituto de Previdência. Entre os demais motoristas, a proporção era de 59,2%.

Considerando todos os condutores de automóveis, com ou sem aplicativo no país, 43,8% contribuíam para a Previdência. A taxa também ficava abaixo da média dos trabalhadores do setor privado, de 62,4%.

Além da menor proteção previdenciária, os motoristas de aplicativos têm jornadas mais longas. Embora o rendimento médio mensal seja ligeiramente superior ao dos demais condutores, o valor recebido por hora é menor, segundo a pesquisa.