Finanças
Ministro da Fazenda culpa juros altos e mudanças de hábito dos consumidores pela crise em empresas do varejo
Dario Durigan citou ainda a perda de receita financeira com o cartão das próprias empresas, que competem agora com as fintechs
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a crise em algumas empresas do varejo é causada por três fatores. Ele citou os juros elevados, a mudança de hábito dos consumidores, que têm preferido comprar pela internet, e a perda de receita financeira com o cartão das próprias empresas. Segundo ele, as empresas aumentaram a dependência das vendas físicas.
As pessoas passaram a consumir muito mais pela via digital do que indo às lojas desses varejistas. Isso mostra que há uma dinâmica no setor que está em transformação, afetada pela taxa de juros, o que prejudica algumas empresas. Um terceiro elemento é o cartão que essas empresas ofereciam aos seus clientes, que podiam usar para comprar um determinado sofá, por exemplo.
A varejista ganhava a receita na venda do sofá e tinha uma receita financeira, porque também ganhava com os juros que cobrava nesse crediário, nesse cartão — disse o ministro em entrevista ao Jornal da Record.
Ele mencionou a concorrência entre operadores desses cartões e as fintechs:
— Os cartões hoje que são utilizados para essas compras não são mais os cartões dessas lojas. Assim, elas tiveram uma redução muito drástica dessa receita financeira, passando a depender fortemente da venda física.
Vem ocorrendo no país uma série de pedidos de recuperação judicial, como das redes Casas Bahia e Marabraz, o que vai gerar milhares de demissões.
O ministro comemorou a aprovação de dois projetos pelo Senado na quarta-feira, que criam a Política Nacional de Minerais Críticos e o programa do Redata, Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter.
— Isso é muito positivo porque projeta a oportunidade de futuro para o brasileiro. O Redata é basicamente um programa de estímulo aos data centers sustentáveis no Brasil. Quando falamos de mineral crítico, referimo-nos a alguns minerais que não são comuns. Nós não estamos falando do minério de ferro ou do cobre; estamos falando de terras-raras e outros minerais que, no mundo de hoje, são usados para produzir celulares, baterias elétricas, ímãs e chips. Em toda essa discussão de inteligência artificial, você consome mineral crítico — destacou Durigan.
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