Finanças
Lula contata Alcolumbre para agilizar votação da PEC 6x1 no Senado
Cabe ao presidente do Senado pautar os temas que serão analisados no plenário
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na quarta-feira, na tentativa de destravar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho para 6x1. Segundo relatos de três pessoas a par das conversas, o petista procurou Alcolumbre após a aprovação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e solicitou que a proposta fosse levada ao plenário — o que não ocorreu.
Ainda segundo esses relatos, Lula agradeceu a Alcolumbre pela aprovação da PEC na CCJ e pelas outras matérias consideradas prioritárias para o Palácio do Planalto, como a PEC da Segurança Pública e os projetos relacionados a terras raras e incentivos para datacenters.
Cabe ao presidente do Senado pautar os temas analisados no plenário. A decisão de Alcolumbre de não concluir a votação frustraram as expectativas dos aliados de Lula, que esperavam aprovar a PEC da 6x1 antes das eleições. A avaliação é que a proposta é popular e pode fortalecer a imagem do presidente junto a segmentos que não costumam votar nele.
A equipe de Lula desejava usar a aprovação da proposta como uma vitrine eleitoral durante a campanha.
Mesmo assim, até parlamentares governistas afirmaram que Alcolumbre não descumpriu nenhum acordo. Na semana anterior, ele almoçou com Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir a agenda de votações na última semana de sessões deliberativas antes das eleições. Ao final do encontro, Alcolumbre evitou se comprometer a levar a PEC ao plenário, embora tenha prometido agilizar a apreciação na CCJ.
Alcolumbre foi contatado pela assessoria de imprensa, mas não respondeu. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) também foi procurada, mas não houve retorno.
Relatos indicam que aliados de Lula criticaram a declaração do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), que justificou a não votação da PEC argumentando risco de não haver votos suficientes — uma PEC requer 49 dos 81 senadores em votação em dois turnos. Um político que acompanhou as negociações comentou que essa não era a posição política solicitada pelo Planalto e que haveria votos suficientes para a aprovação.
A interpretação é de que, mesmo com a oposição e aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se posicionando contra a votação, é improvável que senadores se oponham ao texto, já que se trata de um tema popular e muitos senadores estão em campanha visando a reeleição, não querendo se indispor com seus eleitores.
Um integrante da cúpula do Congresso minimiza os prejuízos eleitorais para Lula com a não conclusão da votação da PEC e afirma que as matérias que avançaram no Legislativo nesta semana darão fôlego ao petista em um momento de pressão na campanha.
Ele acredita que a votação do fim da escala 6x1 será realizada entre o primeiro e o segundo turno e isso poderá fornecer um impulso significativo na reta final da campanha de Lula. Até lá, a equipe do presidente poderá manter o tema em destaque, responsabilizando a oposição pelo adiamento da votação e, sobretudo, Flávio, que é seu principal adversário nas eleições. Tanto Flávio quanto seus aliados, incluindo Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, se manifestaram contra a PEC.
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