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Lula aponta que PEC do fim da escala 6x1 não avançou no Congresso por atuação de aliados de Flávio

Presidente entrou na articulação política nas últimas semanas para garantir votação da proposta, mas não havia acordo para que PEC fosse levada ao plenário

Agência O Globo - 03/09/2026
Lula aponta que PEC do fim da escala 6x1 não avançou no Congresso por atuação de aliados de Flávio
Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (dia 3), que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 não avançou no Congresso nesta semana por atuação dos aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na disputa à Presidência.

A PEC foi aprovada no dia anterior na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não foi levada ao plenário. Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautar a proposta.

Na semana passada, Alcolumbre almoçou com Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir a pauta de votações. Após o encontro, o presidente do Senado disse que a PEC seria levada à CCJ — mas despistou sobre a votação em plenário. Apesar disso, o entorno de Lula dizia acreditar ser possível que o tema fosse votado.

Apoio popular

O Palácio do Planalto queria aprovar a PEC diante da avaliação de que é uma matéria de amplo apoio popular com potencial de ser explorada como vitrine eleitoral na campanha do petista. Desde que a proposta passou a ser discutida no Congresso nacional, Lula e seus aliados têm usado a PEC 6x1 como arma política para fazer um contraponto à atuação de parlamentares, dizendo que o governo atua pelos interesses do povo, diferentemente do Parlamento.

Nas últimas semanas, o próprio Lula entrou na articulação política para destravar o andamento da PEC e passou a falar mais sobre o fim da escala 6x1 — em falas públicas e também nas propagandas eleitorais de rádio e televisão.

Nas redes

Nesta quinta-feira, em publicação nas redes sociais, Lula disse que o Brasil testemunhou “quem é quem no Congresso Nacional”. “Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, escreveu o petista.

“É importante que o Brasil saiba quem está trabalhando para avançar com essa mudança e quem está tentando impedir uma conquista que pode garantir um dia a mais de descanso sem redução de salário”, acrescentou.

Oposição

Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, foi um dos principais senadores a se posicionar contra a matéria. O tema é considerado prioritário para o entorno de Lula, diante da avaliação de que é uma medida popular de grande alcance e que poderá ser explorada como vitrine eleitoral do petista na campanha.

“Os brasileiros e brasileiras que trabalham seis dias por semana e, muitas vezes, dedicam o sétimo aos afazeres domésticos, já cansaram de esperar. Estamos com vocês. Seguimos mobilizados. Pelo fim da escala 6x1!”, escreveu Lula na publicação nas redes.

Sem citação nominal

Na publicação desta quinta-feira, Lula não citou nominalmente nem seus adversários nem Alcolumbre. Em últimas declarações, o presidente vinha citando o presidente do Senado e os senadores para cobrar a aprovação da proposta.

A avaliação de integrantes da campanha do petista à reeleição é que é preciso expor e desgastar Flávio Bolsonaro com o tema, já que o senador tem se colocado contrário ao avanço da matéria. Isso porque o fim da escala de trabalho 6x1 tem apelo popular e é um tema da vida cotidiana do povo. Um aliado do presidente da República afirma que é preciso seguir essa linha, pautando o debate por esse tema e não outros assuntos que podem desgastar o petista.

Sem garantia

A expectativa de governistas era a de que a PEC pudesse ser votada nesta semana, já que, a princípio, será a última com sessões de votação no Congresso antes do primeiro turno das eleições. Na noite de terça-feira, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), se reuniu com Alcolumbre para buscar destravar a votação, mas não teve sucesso. Randolfe disse à imprensa que o governo federal não tinha a garantia dos 49 votos necessários para aprovar a mudança na Constituição.

Segundo o petista, Alcolumbre perguntou aos senadores governistas se havia segurança sobre o número de votos antes de colocar a PEC em votação. Após consultar o mapa de votação, Randolfe informou que a resposta foi negativa.