Finanças

Indústria volta a subir em julho, puxada por informática e petróleo, mas perde força em outros setores

Atividade avançou 0,2% após dois meses de queda, mas freio em bens intermediários, que tem peso relevante, limita resultado. No ano, setor acumula alta de 1,1%

Agência O Globo - 02/09/2026
Indústria volta a subir em julho, puxada por informática e petróleo, mas perde força em outros setores
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A produção industrial brasileira cresceu 0,2% em julho, na comparação com junho, interrompendo uma sequência de dois meses de queda, segundo dados divulgados nesta quarta-feira. O avanço foi impulsionado, principalmente, pela produção de equipamentos de informática e eletrônicos.

Apesar do crescimento no mês, o resultado ainda revela um setor sem grande impulso. Em relação a julho de 2025, a indústria recuou 0,5%. No acumulado de janeiro a julho, a alta é de 1,1%. Em 12 meses, o crescimento é de 0,6%.

O que dizem analistas?

Embora ainda positivo, o resultado decepcionou analistas econômicos, que projetavam uma alta em torno de 0,7% para o mês de julho. Eles avaliam que a indústria enfrenta dificuldades para crescer em meio aos juros altos.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, comenta que a indústria extrativa cresceu 2,5% em julho, comparado ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, a indústria de transformação teve uma queda de 1,1% nessa mesma métrica, indicando uma trajetória fraca da atividade industrial.

"Os juros elevados ajudam a explicar essa dinâmica, já que a Selic em patamar restritivo aumenta o custo do crédito e desestimula investimentos por parte das empresas", explica.

Com isso, a perspectiva é que a produção industrial continue a perder força nos próximos meses, refletindo principalmente os resultados mais fracos da indústria de transformação. A indústria extrativa deve continuar crescendo, oferecendo algum suporte ao setor como um todo. A projeção é de um leve crescimento da produção industrial em 2026 em comparação ao ano anterior, conclui.

Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, também acredita que a indústria enfrentará dificuldades até o fim do ano.

"A deterioração da confiança empresarial, a queda nos índices de gerentes de compras da indústria de transformação e as condições financeiras restritivas sugerem que o setor passará por ventos contrários pelo restante de 2026", escreveu em relatório.

Queda dos bens intermediários freia resultado

Dentre as quatro grandes categorias pesquisadas, três apresentaram crescimento. O avanço de julho foi sustentado pela produção de bens de consumo duráveis e bens de capital. A produção de bens duráveis cresceu 3,2%, enquanto a de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos usados para aumentar a capacidade produtiva, subiu 2,4%.

Bens de consumo semi e não duráveis também registraram alta, de 0,5%. No entanto, o desempenho foi limitado pela queda de 0,2% na produção de bens intermediários, que têm um peso significativo na indústria, pois são utilizados como insumos em outras etapas da produção.

Os segmentos de produção de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, produtos alimentícios e derivados de petróleo foram os que mais contribuíram para o crescimento da indústria em julho. Estes três setores viram um avanço após dois meses consecutivos de queda, indicando uma certa correção.

Além disso, a produção de outros equipamentos de transporte, produtos do fumo, máquinas, aparelhos e materiais elétricos e artigos de vestuário também contribuíram positivamente.

No ano, setor tem alta de 1,1%

A indústria acumula uma alta de 1,1% de janeiro a julho, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, com o aumento na produção de petróleo e gás, além do setor de veículos automotores. O setor de petróleo tem sido beneficiado por investimentos e pela retomada de projetos de exploração e produção de óleo e gás.

A indústria automobilística, por sua vez, tem recebido apoio de uma atividade econômica aquecida e de medidas de estímulo à demanda, como o programa Move Brasil, criado pelo governo para incentivar a compra de veículos novos por taxistas e motoristas de aplicativos.

A indústria extrativa avançou 6,7% no período, enquanto a produção de veículos automotores cresceu 5,7%. Também foram registrados desempenhos positivos nos segmentos de farmoquímicos e farmacêuticos (5,8%), bebidas (1,9%) e produtos alimentícios (0,4%). Estes últimos segmentos estão mais relacionados ao consumo, e a alta foi observada em um ambiente de atividade ainda relativamente robusta, sustentada pelo mercado de trabalho, com emprego e renda em níveis favoráveis ao consumo.