Finanças

Abiec informa que sistema de controle de antibióticos exigido pela UE está em execução, com 100% de adesão dos exportadores

Protocolo integra garantias apresentadas pelo governo brasileiro ao bloco, que deve suspender compras de carne brasileira amanhã. Associação ressalta que 'não há substituição automática do mercado europeu'

Agência O Globo - 02/09/2026
Abiec informa que sistema de controle de antibióticos exigido pela UE está em execução, com 100% de adesão dos exportadores
Exportação total de carne bovina atingiu recorde de 236.842 t em abril, mostra Abiec - Foto: Reprodução/internet

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou nesta quarta-feira que desenvolveu um protocolo de controle do uso de antimicrobianos pelos produtores de carne bovina, com adesão de 100% das empresas associadas que exportam para a União Europeia.

O sistema é uma exigência do bloco para a manutenção dos embarques. De acordo com a associação, as garantias oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já foram apresentadas à UE.

Na segunda-feira, a Comissão Europeia reiterou que o Brasil seria excluído da lista de nações habilitadas para exportar determinados produtos à UE por não ter apresentado garantias suficientes sobre a conformidade de seus produtos com as regras sanitárias europeias, incluindo o uso de antibióticos proibidos na região.

A proibição, a menos que ocorra uma reversão na decisão, anunciada em maio, terá início nesta quinta-feira. O protocolo faz parte das garantias oficiais brasileiras já apresentadas à UE, estando em processo de execução.

Desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o protocolo busca atender às exigências do bloco.

A Abiec declara: "Trata-se de um requisito regulatório de mercado, estabelecido pelo bloco para seus fornecedores, que não altera a qualidade, a segurança ou o status sanitário da carne bovina brasileira, reconhecida em mais de 170 mercados atendidos pelo país".

Além disso, a associação enfatiza que, caso as exportações sejam de fato barradas, o mercado europeu não pode ser substituído automaticamente.

"A União Europeia é um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados. A carne bovina brasileira seguirá sendo comercializada nos mercados para os quais estiver habilitada, mas não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos".

Por essa razão, a prioridade, segundo a associação, é "contribuir para que esse fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível, preservando a diversificação dos destinos, a competitividade da cadeia e a presença internacional da carne bovina brasileira".

"Os esforços estão concentrados na reinclusão do Brasil entre os países aptos a exportar para o bloco, uma vez que as garantias oficiais do Mapa já foram apresentadas". A Abiec afirma que acompanha as negociações do governo e que "segue fornecendo os subsídios técnicos necessários".