Finanças
Desindexação do aumento do salário mínimo de outros benefícios não está na ordem do dia, diz ministro do Planejamento
Bruno Moretti afirmou que tema não deve ser discutido num eventual quarto mandato de Lula
No dia de envio da proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 ao Congresso Nacional, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, reforçou o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e garantiu que o governo, caso o presidente Lula obtenha a reeleição, não dependerá do Legislativo para buscar o centro da meta fiscal.
O ministro afirmou que a desindexação do aumento do salário mínimo de outros benefícios pagos pelo governo, incluindo aposentadorias, não está na ordem do dia num eventual quarto mandato do petista.
Diferente de anos anteriores, o planejamento para 2027 traz uma estratégia de ajuste fiscal baseada no controle do gasto, e não no aumento de receitas, disse o ministro. Ele afirmou que o governo não enviará ao Congresso nenhuma nova medida de arrecadação ou aumento de impostos.
— Não ficaremos sob incerteza de aprovação ou não do Congresso de nenhuma medida para que a gente busque o centro da meta fiscal — afirmou o ministro, explicando que o governo usará contingenciamentos na base de despesas discricionárias, apenas se for necessário.
Moretti participou do Macro Day 2026, evento realizado pelo banco BTG Pactual, em que políticos, autoridades e economistas discutem a situação econômica e política do país. O ministro foi entrevistado por Junia Gama, sócia e chefe de análise política do BTG.
A peça orçamentária prevê um resultado primário de quase R$ 20 bilhões, segundo o ministro. A consolidação fiscal prevê um ganho de 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027, com a meta de alcançar mais 2 pontos percentuais de ajuste fiscal do PIB ao longo do próximo mandato.
Embora o mercado financeiro pressione por reformas estruturais profundas, que ajudem a estancar o crescimento acelerado da dívida pública, Moretti afirmou que a desindexação do salário mínimo em relação a benefícios previdenciários não está na ordem do dia para um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro defendeu que o caminho realista e viável para a consolidação fiscal é a desaceleração contínua das despesas obrigatórias.
— Para isso, o governo aposta em uma série de instrumentos já aprovados e em funcionamento, como gatilhos de despesas com pessoal, sublimites e revisões de regras orçamentárias — explicou Moretti.
Controle fiscal
O ministro assegurou que o controle fiscal não será feito "à custa dos mais vulneráveis". No setor de Saúde, mesmo com a implementação de um gatilho que retira as receitas do petróleo da base de cálculo do piso constitucional para limitar o crescimento da vinculação abaixo do teto do arcabouço fiscal, os programas prioritários como o Farmácia Popular e o Mais Especialistas seguem com recursos plenamente assegurados.
— Na Educação, a estratégia foi semelhante. O governo realizou uma racionalização de R$ 12 bilhões no piso da pasta e incorporou o programa Pé de Meia dentro do limite constitucional de gastos. Essa engenharia orçamentária mitiga o impacto fiscal geral sem desamparar as políticas públicas essenciais — afirmou o ministro.
Questionado sobre as críticas de economistas sobre os gastos que correriam por fora do Orçamento (o chamado gasto parafiscal), Moretti negou veementemente a existência de qualquer duto paralelo.
— Estão todas no orçamento, não há despesa financeira que esteja fora do orçamento — afirmou o ministro, citando fundos como o Fundo Social, o Fundo de Infraestrutura Social e o Fundo de Ciência e Tecnologia.
Para aumentar a previsibilidade e a transparência de mercado, o ministro disse que o orçamento de 2027 trará uma inovação acordada com o Tribunal de Contas da União (TCU): um anexo inédito explicitando detalhadamente o tamanho do subsídio implícito projetado em cada linha de despesa financeira, permitindo avaliar se o retorno socioeconômico de cada política de fato compensa o seu custo fiscal.
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