Finanças
Em reunião com americanos, governo Lula defende diálogo e ministros devem ter novo encontro
Brasil afirma que seguirá perseguindo 'um acordo equilibrado e mutuamente benéfico' com Estados Unidos
Os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, se reuniram nesta segunda-feira com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, para discutir o tarifaço imposto pelos americanos a produtos brasileiros. A reunião aconteceu depois da ligação entre os presidentes Lula e Donald Trump.
O encontro, porém, terminou sem avanço concreto. O governo brasileiro reafirmou que busca o diálogo para revisar as tarifas. Além disso, os dois países concordaram em voltar a reunir-se, em data que ainda será programada, "a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas". As próximas reuniões podem ser virtuais ou presenciais.
"O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países", diz nota divulgada pelo governo Lula.
De acordo com o comunicado, os ministros reiteraram que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, "que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio".
Em julho, os Estados Unidos anunciaram a decisão de aplicar as tarifas de 25% e 12,5% sobre os produtos exportados para o mercado americano — as taxas se somam.
Levantamento do ministério aponta que 52,7% da pauta exportadora para os estados não enfrenta imposição de sobretaxa e 47,3%, estão sujeitos a alguma tarifa. Segundo a pasta, 8,6 mil empresas estão sendo afetadas pelo tarifaço.
Na nota, o governo brasileiro disse que os ministros indicaram que as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio americana "não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil".
O governo brasileiro repetiu ainda que seguirá perseguindo "um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional".
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