Finanças

Como iniciar pé-de-meia aos 50 anos? Aumento da longevidade traz autonomia e requer responsabilidade

Veja como reorganizar contas, construir reserva de emergência e investir para aposentar

Agência O Globo - 31/08/2026
Como iniciar pé-de-meia aos 50 anos? Aumento da longevidade traz autonomia e requer responsabilidade
Pé-de-Meia - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O consumo dos brasileiros acima de 50 anos — que já era de R$ 1,8 trilhão em 2024 — irá mais do que duplicar até 2044, chegando a R$ 3,8 trilhões e 35% do PIB. Os dados são do estudo Brasil Prateado, da consultoria Data8. Economicamente ativa e com uma expectativa de vida maior, essa geração vê pela frente mais escolhas financeiras a fazer do que seus pais tiveram. A vida está recomeçando.

— Muitas pessoas continuam trabalhando, fazendo planos, consumindo, viajando, cuidando da família e, principalmente, tomando decisões sobre os próximos capítulos da vida — diz Antônio Leitão, do Instituto de Longevidade MAG. — E esse cenário, quando pensado em finanças, traz uma oportunidade, mas também uma responsabilidade. Com mais anos pela frente, é possível rever escolhas e abrir espaço para novos projetos.

Score médio de crédito do brasileiro cai seis pontos em um ano.

Desenrola Fies:

Não existe, é claro, uma idade certa para começar a se preocupar com o futuro. Mas, se aos 50 anos, nunca foi feito um planejamento, ainda há tempo de colocar a previdência, a saúde e outras preocupações na agenda.

— O primeiro passo é revisar os gastos atuais e realizar um ajuste criterioso no orçamento — diz Sérgio Batista, gerente de Análise e Planejamento Financeiro do Banco Mercantil.

As próprias prioridades não são as mesmas das que se tinha aos 20 anos. Manter as despesas no automático pode ser um ponto de fuga do dinheiro, enquanto outras áreas demandam mais atenção.

— As despesas de saúde tendem a aumentar ao longo dos anos e são uma das principais causas de desequilíbrio financeiro nessa fase da vida — alerta o gerente do Mercantil.

Reserva para lidar com os imprevistos

Além disso, os papéis familiares podem e devem mudar. Não se trata de se desprender do papel de provedor, mas sim reconhecer os limites dessa responsabilidade, para não comprometer a própria segurança financeira.

Um passo fundamental, se ainda não possui, é construir uma reserva de emergência.

— Ela permite enfrentar imprevistos sem recorrer a empréstimos — indica Leitão.

Veja dicas, abaixo, de como abrir brechas no orçamento para isso.

O mais importante é começar a reservar alguma parte do salário todo mês, mesmo que pouco. E o ideal é chegar a um montante que consiga cobrir entre seis a 12 meses de gastos fixos da pessoa. Tesouro Selic, fundos DI e CDBs com liquidez diária são boas opções para guardar o dinheiro e poder sacá-lo a qualquer momento.

Reorganize as contas

Raio-X - Durante um mês, vale registrar tudo o que entra e tudo o que sai, sem deixar de fora os pequenos gastos. Também é importante listar dívidas, patrimônio, investimentos e fontes de renda que poderão existir nos próximos anos. Esse retrato ajuda a entender onde a pessoa está antes de decidir para onde quer ir.

Família - É importante que a família discuta responsabilidades e limites financeiros de forma aberta. Sem transformar o apoio aos filhos em uma obrigação sem prazo, o desafio é conciliar essa realidade com a própria segurança financeira.

Dívidas - Também é importante avaliar compromissos de longo prazo e entender quanto eles ainda representam no orçamento. A prioridade deve ser identificar dívidas que cobram os juros mais altos e buscar alternativas para renegociá-las ou quitá-las.

Prioridades - Reorganizar o orçamento significa direcionar melhor os recursos para as prioridades dessa nova fase e, ao mesmo tempo, abrir espaço para construir uma reserva para o futuro. Reveja tarifas e contratos antigos, hábitos de consumo e até padrões de vida que deixaram de fazer sentido ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, algumas despesas podem ganhar mais importância, como saúde e bem-estar, enquanto conforto, mobilidade e praticidade podem ter um peso maior nas escolhas de consumo.

Renda - Planejamento financeiro não passa apenas por gastar menos, mas também por avaliar possibilidades de ampliar ou diversificar as fontes de renda, especialmente com a vida profissional alongada atualmente. Prestação de serviços, consultorias e novos empreendimentos são boas possibilidades na maturidade.

Investir para aposentar

Aos 50 anos, é inadiável também programar a aposentadoria. Presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira, Reinaldo Domingos, recomenda estimar o ano em que se deseja parar de trabalhar e quanto necessitará de complemento de renda. Assim, é possível calcular quanto reservar atualmente, mês a mês, para futuramente viver de parte do rendimento do dinheiro investido. Ou seja, sem prejudicar a recomposição dos valores.

— Quanto mais cedo começar a guardar recursos financeiros, o esforço será menor. A pessoa colocará menos dinheiro, mas com mais tempo. Quando se começa aos 50 anos, é preciso mais sacrifício, mas é plenamente possível — pontua Domingos, que apresenta simulações, abaixo.