Finanças
Taxa de juros de 14% é hostil para a atividade econômica, diz André Esteves
CEO do BTG Pactual afirmou que país tem ambiente econômico muito favorável para baixar Selic, mas precisa estancar crescimento da dívida pública
O banqueiro André Esteves, CEO do BTG Pactual, disse que reduzir a taxa de juros dos atuais 14% ao ano para 7% "equivale a 30 vezes qualquer programa social" devido à relevância e ao alcance do seu impacto econômico na sociedade. Ele classificou o patamar de juros de 14% como um ambiente extremamente hostil para a atividade econômica, prejudicial para empresas de todos os setores, incluindo a indústria, o varejo, o empreendedorismo e mesmo os bancos, rebatendo a crença comum de que juros altos seriam benéficos para as instituições financeiras.
— Levar as taxas de juros para um dígito beneficiaria diretamente a base da pirâmide, que é a parcela da população que mais sofre com as taxas elevadas — disse ele durante a abertura do Macro Day 2026, que acontece nesta manhã em São Paulo, onde economistas, políticos e autoridades discutem o cenário político e econômico do país.
Segundo ele, a economia brasileira está atualmente organizada sob critérios muito favoráveis que não eram vistos nos últimos 30 anos. Ele afirmou que o déficit em conta corrente é menor do que o investimento direto externo que entra no país e destacou que o Brasil possui US$ 370 bilhões em reservas cambiais, com expectativa de uma inflação situada entre 4% e 4,5%. O desemprego no país está próximo de zero.
— O país conta com um mercado de capitais emergente e um sistema financeiro sólido. Esse cenário positivo é fruto do trabalho acumulado de vários governos e da própria sociedade. No entanto, para que a queda de juros aconteça, ainda há um item fora do lugar que precisa ser resolvido: o crescimento muito forte e rápido da dívida pública — afirmou.
Esteves afirmou que resolver a questão fiscal é o passo necessário para viabilizar a redução sustentável dos juros para patamares de um dígito.
— Alcançar esse objetivo é perfeitamente possível e relativamente simples — afirmou.
Ele afirmou que o Brasil tem a oportunidade de atingir dois legados: o da institucionalidade e o econômico.
Ele lembrou que, nos últimos 12 meses, o Brasil enfrentou batalhas importantes contra a não-institucionalidade.
— A sociedade brasileira demonstrou ter "anticorpos" que funcionaram, garantindo que as instituições prevalecessem e dessem passos importantes rumo ao fortalecimento institucional. Embora essa batalha recente tenha sido vencida, a guerra ainda continua.
Ele considerou como fatores altamente preocupantes a velocidade com que o crime organizado se infiltra nas instituições e o crescimento de empresas informais, atuando em mercados regulados.
— O legado de um futuro governo será ver as instituições agindo firmemente e defendendo o que promove o desenvolvimento, que é justamente a força das próprias instituições. E a grande meta econômica é retirar o Brasil de um patamar hostil de juros.
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