Finanças
Caged: Brasil cria mais de 58,5 mil postos de trabalho com carteira assinada em julho
No ano, até o mês passado, 972,2 mil empregos com carteira assinada foram criados no país
O Brasil gerou mais de 58,5 mil empregos formais em julho deste ano, informou nesta sexta-feira o Ministério do Trabalho e do Emprego. O número representa uma queda de 56,3% em relação ao mesmo mês de 2025. O dado ficou abaixo da mediana de mercado, que previa a criação de 114 mil empregos, rompendo o piso das projeções, que era de 90,5 mil.
Além disso, este resultado é o pior para meses de julho desde 2020, início da atual série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
No acumulado do ano, até o mês passado, foram criados 972,2 mil empregos formais no país, representando uma queda de 21% na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram abertas 1,22 milhão de vagas com carteira assinada. Esse número também é o menor desde 2020.
Rodolfo Margato, economista da XP, destaca que a desaceleração da demanda e as restrições de oferta de mão de obra em alguns setores podem levar a um crescimento mais modesto do emprego nos próximos meses. Ele estima que o crescimento do PIB total ficará próximo de zero no segundo semestre.
— Além disso, setores como construção civil, alojamento e alimentação e serviços domésticos parecem estar entre os mais afetados pela escassez de trabalhadores. Por fim, incertezas em relação à condução da política econômica a partir de 2027 e possíveis mudanças na escala de trabalho 6x1 podem levar as empresas a adotar uma postura mais cautelosa, adiando decisões de investimento e contratação — explicou.
Margato ressalta que os dados recentes apontam para uma desaceleração, e não uma contração, do mercado de trabalho. A projeção é que o ritmo médio de criação de empregos formais desacelere de aproximadamente 110 mil vagas por mês em 2025 para 80 mil vagas por mês em 2026.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, pondera que a forte frustração em relação às projeções indica uma possível perda de fôlego do mercado de trabalho formal.
— É cedo para tratar esse movimento como uma tendência consolidada de desaceleração — destacou, acrescentando que a fraqueza dos dados pode levar a um aumento das apostas por uma queda de juros de 0,25 p.p. na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e até outras quedas semelhantes nas reuniões subsequentes.
Comércio fecha vagas no mês
No mês passado, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas apresentaram saldo positivo na geração de empregos, com destaque para o setor de **Serviços** (24.098), seguido por **Construção** (12.691), **Agropecuária** (12.523) e **Indústria** (11.315). Apenas o **Comércio** registrou saldo negativo (-2.056).
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o setor de **Serviços** liderou as contratações, enquanto o **Comércio** soma uma perda de 7.896 postos formais neste ano.
Entre os estados, os maiores saldos acumulados ocorreram em São Paulo (267.107), Minas Gerais (113.981) e Paraná (68.243). Em termos relativos, as maiores variações foram registradas no Amapá (4,79%), Mato Grosso (3,96%) e Piauí (3,74%).
O salário médio real de admissão em julho foi de R$ 2.419,23, com um crescimento de 0,6% em relação a junho (R$ 2.404,10), uma variação positiva de R$ 15,13.
Caged x Pnad
Os dados do Caged consideram apenas os trabalhadores com carteira assinada, não incluindo os informais. Portanto, esses números não são compatíveis com os apresentados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As informações da Pnad, divulgadas na quinta-feira, indicam que a taxa de desemprego se manteve nas mínimas históricas, em 5,3% no trimestre móvel encerrado em julho, a menor taxa para o mês desde 2012.
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