Finanças
Ministério Público Federal e Receita realizam operação contra dona da Betnacional
Suspeitas envolvem lavagem de dinheiro e sonegação; despesas fictícias foram declaradas ao Fisco.
O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal realizam a Operação Jogo de Sombras nesta sexta-feira, com o objetivo de apurar supostos crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionados à exploração de apostas de quota fixa (bets). A operação mira na dona da Betnacional, o grupo NSX Brasil.
Estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão nos municípios de João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP). A investigação tem como foco a exploração de plataforma de apostas esportivas pelo grupo empresarial, que teria movimentado mais de R$ 5 bilhões apenas em 2025.
O grupo conta com autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda para operar com a Betnacional no Brasil. Contudo, segundo a Receita, as apurações indicam que as supostas irregularidades tributárias e financeiras ocorreram tanto antes quanto após a regulamentação do setor de apostas de quota fixa no Brasil, que entrou em vigor no ano passado.
Empresa de fachada
Conforme as investigações, a NSX teria constituído uma empresa de fachada em Curaçao para simular que a operação da plataforma ocorria fora do país, em período anterior à regulamentação do segmento. Entretanto, as empresas nacionais vinculadas ao grupo seriam as verdadeiras responsáveis pela operacionalização das atividades no Brasil.
Foram também identificados indícios da utilização de instituições de pagamento e operações financeiras estruturadas para a movimentação de recursos do Brasil para o exterior. Segundo a Receita, parte desses valores teria retornado posteriormente ao país sob a forma de pagamentos por prestação de serviços, em possível mecanismo destinado a justificar a repatriação de recursos enviados anteriormente para fora.
As investigações ainda revelaram a possível utilização de contas bolsão mantidas em fintechs para dificultar o rastreamento da circulação dos recursos e a identificação de seus beneficiários finais.
As apurações apontam também possíveis irregularidades praticadas após a entrada em vigor do novo marco regulatório das apostas de quota fixa. Segundo as investigações, parte das estruturas utilizadas previamente teria sido adaptada para continuar viabilizando mecanismos de sonegação fiscal. Entre os fatos investigados está a declaração ao Fisco de despesas supostamente fictícias, com potencial impacto na redução indevida dos tributos devidos a partir de 2025.
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