Finanças
Inadimplência do crédito consignado para trabalhadores do setor privado alcança 10%
Reforma do programa em março de 2022 ampliou acesso a trabalhadores com vínculo CLT.
A inadimplência no crédito consignado destinado ao trabalhador do setor privado (CLT) subiu de 8,7% em junho para 10% em julho, alcançando um patamar recorde desde março de 2011, segundo o Banco Central. O atraso superior a 90 dias no pagamento das parcelas do empréstimo vem crescendo continuamente e em ritmo acelerado desde novembro do ano passado, quando o percentual era de 5%.
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— A inadimplência do consignado privado tem crescido de forma acelerada. Bateu o recorde da série em julho; em junho, já tinha sido recorde. O crescimento é muito significativo em termos estatísticos, bastante acima do que comumente vemos nas séries (das estatísticas de crédito) — destacou Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC.
Segundo Rocha, parte da explicação se encontra no âmbito estatístico. Em março do ano passado, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva reformulou o programa para ampliar o acesso a todos os trabalhadores com vínculo de emprego CLT. Antes, essa modalidade só podia ser contratada por funcionários de empresas que tinham convênios bilaterais com os bancos, que costumavam ser as maiores, restringindo bastante o público.
Com a ampliação a partir do novo modelo, as concessões do consignado privado cresceram rapidamente. Até fevereiro de 2025, as concessões mensais estavam abaixo de R$ 1,5 bilhão. De março de 2025 a julho deste ano, a média mensal foi de R$ 6,6 bilhões, mais de quatro vezes superior ao desempenho de fevereiro, antes do lançamento do programa intitulado Crédito do Trabalhador.
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Nos primeiros meses, a inadimplência foi baixa, pois as operações só são consideradas inadimplentes no conceito do BC quando ultrapassam 90 dias de atraso. Contudo, posteriormente, a taxa de inadimplência foi aumentando, enquanto, principalmente neste ano, o ritmo de concessões, embora ainda alto, começou a desacelerar.
Outro fator que explica o rápido crescimento da inadimplência é que, por se tratar de um formato novo, as instituições financeiras ainda estão aprendendo a calibrar seus modelos de risco. O programa não só aumentou o acesso do público, como também das instituições financeiras que oferecem a modalidade. Rocha afirmou que ainda não é possível avaliar quando a inadimplência tende a se estabilizar.
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— Ainda não temos, a partir das estatísticas, uma avaliação sobre o ponto de estabilidade dessa inadimplência do consignado do setor privado.
De modo geral, a inadimplência das famílias também registrou recorde no mês passado. Subiu de 5,4% em junho para 5,8%, o maior patamar desde março de 2011. No crédito livre, onde os juros são pactuados livremente entre o banco e o tomador do empréstimo, o número é ainda maior, passando de 7,4% para 7,8% - também a maior taxa da série histórica. Da mesma forma, a inadimplência pessoa física foi recorde no crédito direcionado, com alta de 3,0% para 3,4%.
O comportamento das famílias influenciou a inadimplência geral, que também alcançou o maior nível da série histórica em julho, de 4,9%, contra 4,6% do mês anterior. No crédito livre, foi a 6,4%, de 6,0% em junho, e no direcionado, a 2,9%, ante 2,7%.
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