Finanças

Comprometimento de renda das famílias com dívidas sobe a 29,8% em junho e bate recorde, diz Banco Central

Inadimplência das famílias e geral atingiram as maiores taxas da série histórica em julho

Agência O Globo - 28/08/2026
Comprometimento de renda das famílias com dívidas sobe a 29,8% em junho e bate recorde, diz Banco Central
Banco Central

O comprometimento das famílias com o pagamento de dívidas continuou subindo em junho e alcançou um novo recorde da série histórica iniciada em março de 2011, divulgou o Banco Central nesta sexta-feira. O indicador que mede o percentual do orçamento que é usado para pagar as parcelas das dívidas subiu de 28,5% em maio para 29,8% em junho, mesmo sob o funcionamento do Desenrola 2.0, lançado no quinto mês do ano pelo governo federal para propiciar a renegociação de dívidas das famílias com juros mais baixos.

Sem considerar o financiamento imobiliário, o comprometimento de renda cresceu de 26,2% para 26,6%. Já o endividamento das famílias, que mede qual é o percentual total de dívidas em relação à renda geral, cedeu marginalmente em junho, de 49,9% para 49,8%, mantendo-se, porém, em patamares elevado considerando a média histórica. Sem o crédito habitacional, o percentual caiu de 31,1% para 30,8%.

Os indicadores de endividamento e comprometimento de renda têm defasagem de dois meses em relação ao período da divulgação.

A inadimplência das famílias também registrou recorde no mês passado. Subiu de 5,4% em junho para 5,8%, o maior patamar desde março de 2011. No crédito livre, modalidades em que os juros são pactuados livremente entre o banco e o tomador do empréstimo, o número é ainda maior, passou de 7,4% para 7,8% - também a maior taxa da série histórica. Da mesma forma, a inadimplência pessoa física foi recorde no crédito direcionado, com alta de 3,0% para 3,4%.

O comportamento das famílias influenciou a inadimplência geral, que também alcançou o maior nível da série histórica em julho, de 4,9%, contra 4,6% em julho. No crédito livre, foi a 6,4%, de 6,0% em junho, e no direcionado, a 2,9% ante 2,7%. No caso das empresas, a inadimplência também subiu no crédito livre, de 4,0% para 4,2%, e no direcionado, de 2,0% para 2,1%. No geral, aumentou de 3,2% para 3,3%.

Esses números aumentam a preocupação com o mercado de crédito do país, na mira dos bancos, de especialistas e das autoridades. No campo empresarial, tem se acumulado notícias sobre recuperações judiciais e extrajudiciais. Além dos programas de renegociação de dívidas já lançados pelo governo, o Banco Central também anunciou que prepara medidas para mitigar o risco de crédito, sobretudo considerando a composição de modalidades onerosas na dívida das famílias diante do comprometimento de renda recorde.