Finanças

Governo deve prever superávit ‘real’ de cerca de R$ 10 bilhões em 2027

Valor já vai considerar despesas que ficam fora da meta fiscal, mas que impactam resultado final

Agência O Globo - 27/08/2026
Governo deve prever superávit ‘real’ de cerca de R$ 10 bilhões em 2027
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Mandel Ngan/Pool Photo via AP.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva deve prever um superávit “real” de cerca de R$ 10 bilhões, ou de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), no Orçamento de 2027. Esse resultado vai considerar todas as despesas, inclusive aquelas que são descontadas para o cálculo da meta fiscal, mas que impactam no resultado final.

Fim da escala 6x1:

Após acordo:

Na mesma métrica, a expectativa atual para 2026 é de fechar o ano com um déficit de 0,4% do PIB, ou R$ 52 bilhões.

Em entrevista à GloboNews, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o projeto de lei orçamentária anual (Ploa) de 2027 vai estabelecer um ajuste de 0,5% do PIB já no primeiro ano do próximo governo.

Dessa forma, o resultado previsto vai voltar para o azul, com receitas maiores que despesas. Até 2030, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias (PLDO) prevê um ajuste de 2,0% do PIB.

Míriam Leitão:

— Mesmo com os chamados descontos da meta, vamos ter mais arrecadação do que despesas (em 2027). Vamos ter um resultado primário cheio superavitário no ano que vem — disse Moretti. — Nosso esforço é melhorar as nossas em 0,5% no primeiro ano, de modo a colocar as contas públicas no azul. Essa é a perspectiva que vamos mostrar na segunda — completou, em referência ao projeto de lei orçamentária anual (Ploa) de 2027, que será enviado ao Congresso na próxima segunda-feira.

A meta de resultado primário em 2027 será de superávit de 0,5% do PIB, com intervalo de tolerância de 0,25% do PIB a 0,75% do PIB.

O ministro ainda acrescentou que o Orçamento será factível e que ficará claro como as medidas de contenção de despesas aprovadas ao longo dos últimos anos vão ajudar na desaceleração do aumento dos gastos obrigatórios.

'Juntos para sempre':

As mais recentes são os gatilhos que alteram o cálculo da Receita Corrente Líquida (RCL), reduzindo o crescimento do piso de saúde, e as que limitam a expansão de despesas com vinculações legais aos parâmetros do arcabouço, de alta real entre 0,6% e 2,5%.

Esses dois gatilhos, junto com a trava de crescimento real de 0,6% dos gastos com pessoal, devem levar a uma economia de cerca de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027, segundo Moretti disse ao GLOBO.

— Nossa visão rejeita a ideia de que ampliar o gasto público resolve nossos problemas, mas também rejeita um ajuste recessivo que tire dinheiro de áreas essenciais.