Finanças

Caixa alcança R$ 1 trilhão em crédito habitacional, crescimento de 15% em um ano

Lucro do banco foi de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, aumento anual de quase 6%

Agência O Globo - 27/08/2026
Caixa alcança R$ 1 trilhão em crédito habitacional, crescimento de 15% em um ano
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A Caixa superou, pela primeira vez, a marca de R$ 1 trilhão em saldo na sua carteira de crédito imobiliário no segundo trimestre de 2026. Esse valor representa um crescimento de 15% em 12 meses e de 4% em relação ao trimestre anterior.

O crédito imobiliário representa 69,4% da carteira de crédito total da Caixa, que também apresentou uma expansão anual de 11,9%, encerrando o período em R$ 1,448 trilhão. A Caixa detém uma participação de 67,7% na oferta de crédito imobiliário do país.

O FGTS financiou a maior parte (61,5%) das operações habitacionais do banco, totalizando R$ 618 bilhões, uma alta anual de 18%. A parcela financiada com recursos próprios da Caixa (como poupança e recursos livres) chegou a R$ 387 bilhões, com uma expansão de 10,2%. Este avanço foi suportado pelo crescimento de 3,9% nos depósitos de poupança, que totalizaram R$ 405,6 bilhões, e pelo expressivo aumento de 21,8% nas Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), que somaram R$ 271 bilhões.

Para o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, o resultado do segundo trimestre deve ser celebrado, especialmente em um período de forte volatilidade. No período, o lucro líquido recorrente do banco atingiu R$ 3,9 bilhões, o que representa uma alta de 5,9% em relação ao segundo trimestre de 2025 e 12,4% em relação ao trimestre anterior.

— Todos nós sabemos que o segundo trimestre deste ano, para o mercado como um todo, para o mercado financeiro em particular, foi extremamente desafiador. Mas a Caixa colhe números que são muito significativos — afirmou Vieira.

No âmbito do programa Minha Casa Minha Vida, as contratações atingiram R$ 73,5 bilhões no primeiro semestre, um crescimento de 38,0% na comparação anual. A inadimplência da carteira habitacional recuou de 1,60% em março de 2026 para 1,45% em junho.

O vice-presidente financeiro, Marcos Brasiliano, destacou que a margem financeira bruta do banco cresceu 20,2% em termos anuais, alcançando R$ 19,664 bilhões.

— A recomposição dessa margem financeira poderia ser mais rápida se nós desacelerássemos o crédito e deixássemos de cumprir com esse mandato que temos de ser um agente indutor no desenvolvimento do país — destacou Brasiliano, lembrando ainda o desempenho positivo de outras receitas de prestação de serviços, que cresceram 12,9% no período, impulsionadas pelo avanço em cartões e seguros.

Apesar dos resultados operacionais positivos, a rentabilidade da Caixa, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), caiu para 9,16% (uma queda de 2,70 pontos percentuais em um ano). Essa retração foi motivada por um aumento de 97,6% nas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD), que somaram R$ 7 bilhões no trimestre.

Segundo a administração da Caixa, esse incremento expressivo decorre da transição para as regras da Resolução CMN 4.966/21 do Banco Central, que exige que as instituições financeiras provisionem recursos com base em perdas esperadas no futuro e não apenas nas perdas já ocorridas.

O índice de inadimplência geral da Caixa (atrasos acima de 90 dias) encerrou o segundo trimestre em 3,64%, um aumento de 0,98 ponto percentual em comparação aos 2,66% registrados em junho de 2025, mas uma melhora em relação aos 3,71% apurados em março de 2026.

Para a segunda metade de 2026, Carlos Vieira projeta um período decisivo para consolidar a transformação digital da Caixa. O banco investiu R$ 2,5 bilhões em tecnologia no primeiro semestre e já alcançou o patamar de 100% dos empregados operando com inteligência artificial (IA) embarcada. Segundo o executivo, o uso da tecnologia tem provocado um impacto muito grande na automação e eficiência das tarefas do banco.

Esse investimento tecnológico tem gerado forte captação de novos clientes digitais. Foram abertas 5,2 milhões de contas digitais desde junho do ano passado, sendo que 42% desse total pertence à Geração Z. No total, a Caixa hoje atende a uma base de 160,4 milhões de clientes.