Finanças

Falência: veja quem ainda depende dos serviços da Oi

Empresa tem 9.200 clientes corporativos, apesar de ter perdido 45,3% da base em um ano

Agência O Globo - 25/08/2026
Falência: veja quem ainda depende dos serviços da Oi
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

A operadora Oi, cuja falência foi decretada pela Justiça nesta terça-feira (dia 25), ainda mantém conexões que não podem simplesmente sair do ar. De casas lotéricas aos principais canais de emergência do país, órgãos públicos e empresas continuam dependentes da infraestrutura da operadora.

Segundo um relatório elaborado pela administração judicial do Grupo Oi, a Oi Soluções, divisão voltada ao mercado corporativo e principal negócio remanescente da companhia, encerrou fevereiro deste ano com 9,2 mil clientes ativos.

O número representa uma redução de 45% em relação aos 16,9 mil registrados no mesmo mês de 2025. Entre a clientela da divisão estão importantes contratos com o setor público, principalmente com empresas estatais e administrações estaduais e municipais.

Um desses clientes é o Governo da Bahia. No início deste mês, circuitos de dados que dão suporte às câmeras da Secretaria da Segurança Pública estavam entre os links afetados após a Sitelbra, fornecedora da Oi, interromper a conexão diante de atrasos nos pagamentos.

A Justiça determinou o restabelecimento dos serviços em até 12 horas. Em nota, a Secretaria informou, porém, que não houve interrupção nem qualquer alteração no videomonitoramento e que acompanha os desdobramentos da situação da operadora.

A Caixa Econômica Federal está entre os grandes clientes corporativos da Oi. Documentos apresentados pela operadora à Justiça listam 14 contratos responsáveis por garantir a conectividade de cerca de 13 mil casas lotéricas em todo o país.

A dependência dessa infraestrutura ficou evidente no início deste mês, quando a interrupção de links pela Sitelbra, fornecedora da Oi, atingiu a rede de lotéricas em 18 estados.

Na telefonia, a Oi mantém a operação de terminais associados a serviços tridígitos. A estrutura atende números de emergência, como o 190, da Polícia Militar; o 192, do Samu; e o 193, do Corpo de Bombeiros, além de canais da Defesa Civil, das polícias Civil, Federal, Rodoviária Federal e da Marinha, além de diversos outros serviços públicos de atendimento 24h.

A prefeitura de João Pessoa, capital paraibana, está entre as que aparecem em documentos da Oi como clientes da operadora. Em levantamento preliminar, a administração municipal identificou um contrato firmado em 2022 para serviços como transporte de dados, internet dedicada, banda larga e telefonia fixa.

A administração do município informou que já trabalha na migração gradual para uma rede própria, que reduzirá a dependência de operadoras externas. Ainda apura, porém, se o contrato permanece vigente, quais unidades continuam atendidas pela Oi e se houve interrupções recentes.

A despeito da decretação de falência, pelas regras da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a operadora deve manter os contratos vigentes relacionados a números tridígitos e assegurar a telefonia fixa até dezembro de 2028 nas localidades onde não há outra prestadora de voz.

Procurada pelo GLOBO, a Anatel não informou até a publicação desta reportagem como fiscalizará seu cumprimento ou qual plano será adotado caso a Oi não tenha condições de manter os serviços.

*Thiago Félix, aluno do curso Futuro do Jornalismo, sob supervisão de Danielle Nogueira