Finanças

Banco Central orienta uso responsável dos serviços financeiros, destaca Gabriel Galípolo

Presidente da instituição participou da abertura da Febrabantech em São Paulo e expressou preocupação com o endividamento.

Agência O Globo - 24/08/2026
Banco Central orienta uso responsável dos serviços financeiros, destaca Gabriel Galípolo
Banco Central

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (24) que a inclusão financeira, promovida especialmente pelo Pix para famílias de menor renda, foi um movimento essencial e altamente relevante que já se concretizou. A partir de agora, o BC foca em uma agenda voltada para a sustentabilidade desse acesso e para a saúde financeira do sistema. Galípolo expressou sua preocupação com a busca por crédito e o crescimento do endividamento para consumo efêmero.

— O grande desafio atual é garantir que a população faça um uso responsável dos serviços financeiros que agora estão disponíveis. Isso envolve orientar as pessoas a conhecerem melhor o suitability (a adequação do produto ao seu perfil) e a identificarem a linha de crédito mais adequada para suas necessidades — afirmou.

Ele destacou que a equipe do Banco Central está focada no desenho de medidas macroprudenciais, inspiradas em experiências internacionais, para assegurar que as instituições financeiras estejam devidamente provisionadas para o risco real que correm ao conceder crédito.

— O objetivo é evitar que instituições cresçam de forma artificial no mercado assumindo riscos desmedidos sob a premissa de que o prejuízo final não ficará em seus próprios balanços. O BC pretende garantir um ambiente competitivo isonômico, coibindo práticas de empresas que tentam obter vantagens comerciais agindo além das melhores regras de governança e de prestação de serviços à população — disse Galípolo, garantindo que a instituição deseja ainda aprimorar constantemente as medidas voltadas para o combate a fraudes, a segurança cibernética e o fortalecimento do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Essa transição de foco, conforme disse, será conduzida de maneira lenta e gradual, como é tradição no Banco Central, mas com a velocidade necessária para evitar a perpetuação do endividamento recorde das famílias.

Galípolo lembrou que o Pix foi o principal responsável por um forte processo de inclusão bancária e ampliação do acesso a serviços financeiros no país. Ele afirmou que o nível de inclusão, que se mantinha estável nos anos anteriores ao lançamento da ferramenta, passou a crescer de forma acelerada em uma curva paralela à evolução do Pix.

— Esse movimento de inclusão beneficiou, de forma muito expressiva, a população de menor renda. Três anos após o lançamento da plataforma, 74% dos adultos registrados no Cadastro Único (CadÚnico) já possuíam chave Pix cadastrada e 72% utilizavam efetivamente o sistema — explicou.

Como consequência direta da inclusão financeira e do acesso a serviços promovidos após a chegada do Pix, houve uma expansão expressiva no mercado de crédito, com 37 milhões de novos usuários de cartão de crédito.

— Essa expansão trouxe um cenário de alerta para a cidadania financeira, pois dos 96 milhões de usuários de cartão no país, mais da metade (52,8 milhões) carrega dívidas (seja no crédito rotativo ou no parcelamento com juros). Atualmente, 54% da renda dessas famílias está comprometida com gastos no cartão, sob taxas de juros mensais que chegam a 15,1% — disse o presidente do BC.

Galípolo observou que o endividamento continuou a subir mesmo com o desemprego em mínima histórica e a renda das famílias em máxima histórica. Segundo dados do Banco Central, a principal preocupação é que esse endividamento tem sido pressionado por cartões de crédito e empréstimos sem garantias voltados para o consumo efêmero, ou seja, despesas que não resultam na constituição de um ativo ou bem durável para a família.

Ele ressaltou que o Pix demonstra enorme resiliência, consolidando-se como a instituição de maior confiança da população brasileira, com 80% de aprovação. Conforme reportagem de O GLOBO, o BC estuda mudanças no sistema durante a madrugada para elevar a segurança do Pix. Entre as medidas discutidas, está um tempo maior de análise dos bancos para transferência de valores.

— O Pix é frequentemente alvo de ruídos e desinformação. Mas, em caso de incertezas sobre o que vai acontecer com a ferramenta, as pessoas devem consultar diretamente o site do Banco Central — concluiu Galípolo.