Finanças

Quanto é preciso guardar para comprar um imóvel? Veja simulações por faixa de renda

Especialistas explicam como calcular a entrada, o que muda com o uso do FGTS e quais os prós e contras de financiamento e consórcio

Agência O Globo - 23/08/2026
Quanto é preciso guardar para comprar um imóvel? Veja simulações por faixa de renda
São Paulo registra recorde histórico de lançamentos de apartamentos em 12 meses - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A compra da casa própria está nos planos de muitos brasileiros. Para realizar esse sonho, no entanto, é fundamental estar financeiramente preparado. Segundo especialistas, o custo da aquisição do imóvel deve caber no planejamento familiar sem comprometer a capacidade de enfrentar imprevistos. Ao se planejar para esse momento, também é necessário considerar os gastos que vão além do valor do imóvel e a situação financeira atual da família.

Entenda:

Veja simulações com valores:

— Não basta juntar o dinheiro da entrada e ficar sem recursos depois da compra. É necessário preservar uma reserva para situações inesperadas e, principalmente, para não colocar em risco o pagamento das prestações — destaca Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira.

Para o especialista, um dos principais erros cometidos por quem pretende comprar um imóvel é olhar apenas para o valor da parcela. Uma prestação que parece caber no orçamento pode representar um compromisso financeiro por muitos anos. Outro erro comum é adquirir um bem no limite do valor que o banco está disposto a financiar.

Para evitar esse tipo de situação, Domingos sugere que se defina primeiro qual imóvel é financeiramente viável — e não apenas o desejado. Também é importante fazer um diagnóstico das finanças da família, reduzir ou quitar dívidas de consumo e estabelecer uma meta para a entrada e os custos adicionais da compra. Outra recomendação é simular o financiamento e começar a guardar mensalmente um valor próximo ao que será pago no futuro. Ademais, é necessário pesquisar as opções de financiamento e consórcio, considerando o custo total da operação, não apenas o valor da prestação.

— O conceito central é transformar o sonho em uma meta financeira concreta. Se a pessoa consegue poupar R$ 800 por mês hoje, precisa verificar se conseguirá manter esse esforço depois de assumir uma prestação — resume.

A pedido do EXTRA, Domingos elaborou simulações para mostrar como funcionam a entrada e outras despesas de um imóvel. Quanto maior o valor inicial disponível, menor será o total a pagar ao banco.

FGTS pode entrar na conta

Especialistas também ressaltam que o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser utilizado na entrada ou para amortizar o financiamento, dentro das regras estipuladas para a utilização do recurso.

— A remuneração do fundo é sempre inferior aos juros cobrados no financiamento. Usar o FGTS para abater o custo da casa própria, seja na prestação, seja no sinal, é sempre mais vantajoso do que deixar o dinheiro rendendo lá — afirma Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec RJ.

Domingos também observa que o valor da entrada impacta diretamente no financiamento e na prestação. Quanto maior o valor pago inicialmente, menor tende a ser o montante financiado.

— O FGTS pode ser um importante aliado para quem está planejando comprar a casa própria, especialmente porque pode ser utilizado, dentro das regras estabelecidas, para reforçar o valor da entrada e, assim, diminuir o montante que será financiado. Quanto maior for a entrada, menor tende a ser o valor da dívida, e mais adequada pode ficar a prestação em relação à renda da família — explica.

Financiar ou fazer consórcio, o que é mais vantajoso?

Uma vez decidido que o imóvel será adquirido, é fundamental escolher como será obtido o crédito. Entre as opções, há o financiamento e o consórcio, que diferem essencialmente no tempo necessário para que o valor seja acessado e o bem, adquirido. Enquanto no financiamento a instituição financeira libera o crédito de forma imediata, e o comprador já começa a pagar as parcelas do imóvel, no consórcio, o crédito fica disponível somente quando o interessado é contemplado, seja por sorteio ou lance.

— Em termos práticos, o financiamento atende quem precisa comprar o imóvel agora. O consórcio, por sua vez, costuma ser mais adequado para quem pode planejar a aquisição no médio ou longo prazo — resume José de Oliveira Costa, advogado especializado em Direito Imobiliário.

Por isso, a escolha deve considerar não apenas a capacidade financeira de quem busca a casa própria, mas também o objetivo e a urgência para adquiri-la. Também é importante analisar o custo total da operação.

No geral, Costa observa que o comprador deve optar pelo financiamento quando o objetivo é "comprar e utilizar o imóvel imediatamente, com previsibilidade na aquisição, mesmo assumindo um custo financeiro maior decorrente dos juros e dos encargos da operação". Já a opção pelo consórcio é adequada quando se busca "planejar a compra com antecedência, não tem urgência para adquirir o imóvel e pretende priorizar uma alternativa que normalmente apresenta menor custo financeiro no longo prazo". Mas não há solução universal.

Vai financiar? Veja prós e contras da modalidade

Prós

Aquisição imediata do imóvel;

Possibilidade de utilização do FGTS, desde que observados os requisitos legais;

Maior previsibilidade na concretização da compra;

Diversidade de linhas de crédito, instituições financeiras e prazos de pagamento;

Possibilidade de valorização do imóvel durante o período em que ele já está sendo utilizado pelo comprador.

Contras

Incidência de juros, que pode elevar significativamente o custo final da operação;

Necessidade de aprovação de crédito e comprovação de renda;

Exigência de entrada em diversas modalidades de financiamento;

Comprometimento financeiro de longo prazo, muitas vezes por décadas;

Risco de perda do imóvel em caso de inadimplência prolongada, especialmente em razão das regras da alienação fiduciária.

Quer fazer consórcio? Fique atento

Prós

Ausência dos juros tradicionalmente cobrados nos financiamentos;

Parcelas que costumam ser mais acessíveis no início da contratação;

Formação disciplinada de patrimônio;

Possibilidade de ofertar lances para antecipar a contemplação;

Flexibilidade para utilizar a carta de crédito na aquisição de imóveis residenciais, comerciais ou até terrenos, observadas as regras do contrato.

Contras

Não há garantia sobre quando ocorrerá a contemplação;

O participante pode aguardar um período considerável até ter acesso ao crédito;

Existem taxas de administração e demais encargos previstos contratualmente;

A utilização do crédito depende das regras do grupo e da administradora;

A valorização do mercado imobiliário pode exigir ajustes no planejamento caso o imóvel desejado passe a custar mais do que o valor inicialmente esperado.