Finanças
Henrique Meirelles critica falta de controle das contas no próximo governo
Ex-ministro da Fazenda pede medidas firmes como o 'teto de gastos' de sua administração.
Não está claro que o próximo governo federal – seja sob mais um mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, ou sob o comando da oposição – será capaz de implementar um controle sério das despesas para equilibrar as contas públicas, afirmou nesta sexta-feira o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles.
Tentativa de acordo:
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, é cogitado em um eventual quarto governo Lula.
Ao mesmo tempo, a oposição tem criticado a condução da política econômica na atual gestão e defendido um ajuste mais robusto nas contas, embora sem citar medidas específicas – como fez nesta sexta-feira a presidente do PL.
A sustentabilidade das contas:
– Não está muito claro, nem evidente, que o governo que tomará posse em 2027, seja ele qual for, vai de fato exercer um controle sério – afirmou Meirelles a jornalistas, antes de participar de um evento organizado no Rio pelo Lide, grupo empresarial fundado pelo ex-governador de São Paulo, João Dória.
Medidas mais duras
Para o ex-ministro, o momento exige medidas rigorosas, como o “teto de gastos”, uma regra fiscal criada por sua equipe econômica logo no início do governo Michel Temer, que congelava a despesa agregada da União em termos reais, com reajustes anuais limitados à inflação.
Desconfiança:
Recentemente, a regra que substituiu o teto, ainda no início do atual governo Lula, foi alterada de 2,5% para 1,5%. Para Meirelles, esse ajuste é insuficiente.
– Precisamos de algo mais robusto, como o teto anterior, que previa um crescimento apenas com base na inflação. Isso teria levado, se mantido, a uma significativa redução da dívida, ao contrário do que ocorre atualmente. É necessário resgatar algo mais próximo do teto, para que possamos controlar as despesas e restaurar o crescimento do Brasil – declarou o ex-ministro.
'O problema é saber se as pessoas querem ouvir', diz Meirelles
Meirelles assegurou que “não tem planos de voltar ao governo”. Ele afirmou que não fará parte de equipes de campanha nem pretende apoiar candidaturas. Contudo, destacou que mantém contatos informais com representantes do governo e da oposição para oferecer “contribuições”.
– Estamos sempre prontos para contribuir. O desafio é saber se as pessoas realmente desejam ouvir – afirmou o ex-ministro.
De acordo com Meirelles, a atual política econômica, marcada por uma postura de gastos “expansionista” e uma política de juros do BC “contracionista”, resulta em taxas de juros altas e inflação fora da meta.
'Temos que arrumar a casa', diz economista da XP
Mais cedo, o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, endossou a cobrança por um ajuste mais incisivo nas contas do governo, que possa moderar as despesas. Caso contrário, a economia brasileira continuará a enfrentar juros elevados, o que obstrui o crescimento.
Megale destacou o cenário internacional de juros altos, pois, desde a pandemia de Covid-19, os governos, inclusive nos países desenvolvidos, ampliaram os déficits e não há sinais de ajustes à vista. Essa condição representa mais uma pressão sobre os juros brasileiros.
Apesar disso, Megale visualiza um cenário internacional favorável ao Brasil, impulsionado pelo aumento nos preços de algumas matérias-primas, como o petróleo, e por oportunidades de investimentos privados focados em inteligência artificial (IA), especialmente em datacenters.
– O panorama global vê o Brasil mais como solução do que como problema. Agora, precisamos arrumar nossa casa – concluiu Megale em sua palestra no evento do Lide, realçando que o equilíbrio das contas públicas é essencial para reduzir a diferença dos juros no país em relação às taxas internacionais, desbloqueando assim o crescimento econômico.
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