Finanças
Bancários paralisam atividades por 24 horas em todo o país nesta quinta-feira
Agências que aderiram ao movimento amanheceram fechadas; atendimento presencial é afetado, mas canais digitais continuam funcionando
Agências bancárias de diferentes regiões amanheceram fechadas nesta quinta-feira (20) devido à adesão à paralisação de 24 horas promovida pelos sindicatos dos bancários, no âmbito da Campanha Nacional Unificada 2026. A mobilização impacta o atendimento presencial nas agências que aderiram ao movimento, além de afetar os funcionários que atuam em home office. Muitos clientes foram surpreendidos ao chegarem nos bancos e encontrarem o aviso de fechamento.
Em plena campanha eleitoral:
A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas pela categoria após a oitava rodada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), realizada no último dia 18. Segundo o sindicato, não houve a apresentação de proposta econômica para os trabalhadores. Uma nova rodada de negociação está prevista para segunda-feira, dia 24.
No Estado do Rio, a adesão foi de mais de 90% nas agências da Caixa, 80% no Banco do Brasil e 50% nas instituições privadas, conforme dados do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.
O presidente da entidade fluminense, José Ferreira Pinto, destaca que o movimento visa destravar as negociações e demonstrar aos bancos e à Fenaban a insatisfação dos profissionais quanto à falta de resposta às reivindicações:
— A busca é por um aumento real de 5% nos salários, valorização dos pisos para diferentes funções, incremento no vale-refeição e vale-alimentação, além da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a criação de um piso para os trabalhadores de TI.
Risco:
Em Salvador, segundo informações do Sindicato dos Bancários da Bahia, a adesão nas agências da Caixa foi de 100%, com 70 unidades fechadas, enquanto o Banco do Brasil registrou 27 de suas 81 unidades fechadas.
O diretor da entidade, Amarildo Menezes, reconhece o impacto da paralisação para a população:
— Embora afete diretamente o atendimento ao público, para os trabalhadores, é um importante instrumento de mobilização e pressão nas negociações, pois a Fenaban só apresentou retrocessos até o momento.
Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, destaca que a mobilização demonstrou força desde o início do dia:
— A categoria mostra união e determinação em lutar por propostas que valorizem os salários, a PLR, benefícios, condições de trabalho e pela ampliação das agências com atendimento presencial de qualidade para a população.
Em Pernambuco, o sindicato informou que 167 pontos de atendimento aderiram à paralisação, incluindo unidades do Banco do Brasil, Caixa, Banco do Nordeste, Itaú, Bradesco e Santander, em um total de 394 agências dessas instituições no estado.
De acordo com os sindicatos locais, a paralisação se estendeu também aos trabalhadores em regime de home office. A adesão varia conforme a participação dos empregados em cada local, portanto, nem todas as agências interromperam o atendimento.
Reação dos clientes:
A paralisação afeta, principalmente, o atendimento presencial. Os canais digitais, como aplicativos, internet banking e Pix, permanecem disponíveis.
Em Niterói, a fisioterapeuta Simone Vieira tentou resolver um problema em sua conta em uma agência do Banco do Brasil e se deparou com a unidade fechada:
— Fui surpreendida com as portas da agência fechadas e não havia outra unidade com atendimento disponível. Isso me afetou bastante, pois enfrentei um bloqueio total de acesso a minha conta justo no dia em que precisava fazer um pagamento.
No Centro do Rio, Marta Neves relatou ter chegado a uma agência da Caixa para desbloquear seu cartão, mas encontrou o local fechado, com um aviso sobre a paralisação:
— Fui pega de surpresa. Precisava desbloquear o cartão para realizar algumas movimentações e não consegui. Terei que voltar amanhã, e fiquei chateada por não saber do que estava acontecendo até chegar aqui.
Até a publicação desta reportagem, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), principal entidade sindical do setor financeiro no Brasil, não se manifestou sobre a suspensão das atividades nas agências bancárias.
* Aluno do curso Jornalismo do Futuro, sob supervisão de Danielle Nogueira
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