Finanças
Ministro da Fazenda aposta em crescimento menor do gasto para reduzir juro e dívida
Durigan argumentou que o período posterior à pandemia de covid-19 mostrou que é possível reduzir o endividamento com a queda da taxa de juros
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou, em entrevista à CBN, que o crescimento “controlado” dos gastos públicos pode ser o condutor da queda dos juros e, assim, reverter a trajetória de alta da dívida pública. Na entrevista, Durigan afirmou que o programa de governo para um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa claro que o arcabouço fiscal será mantido, mas com ajustes necessários para controlar o gasto obrigatório.
— Vamos manter o ajuste fiscal, fazendo os ajustes necessários, em especial controlando o gasto obrigatório, isso consta do programa de governo. De modo que a gente faça um esforço fiscal como foi nesse governo, de 2% do PIB. É fundamental deixar claro para as pessoas que não tem navegação no escuro, estamos prontos para fazer um esforço da mesma dimensão — disse, citando também que o governo pretende continuar recuperando receitas, por meio de políticas consideradas injustas.
O ministro argumentou que o período posterior à pandemia de covid-19 mostrou que é possível reduzir a dívida pública com a queda da taxa de juros. Em outubro de 2020, a dívida bruta alcançou 87,7% do PIB, o maior patamar da série histórica, mas depois entrou em uma trajetória de queda até janeiro de 2023 (71,4%).
Segundo Durigan, essa redução teve influência da queda da Selic. De agosto de 2020 a março de 2021, os juros básicos ficaram em 2%, mínima histórica, depois voltaram a subir e alcançaram 13,75% em agosto de 2022.
— (Controle de gastos) significa mostrar com credibilidade para o mercado, que é quem impõe esse custo alto para dívida, que a trajetória de gastos obrigatórios não vai crescer sem controle, de modo que a dívida pública possa se estabilizar e voltar a ter trajetória de queda. A gente já viu isso no passado recente. Durante o período da pandemia, a dívida saltou a um patamar maior do que hoje. Depois com juro a 2%, a dívida consegue diminuir de tamanho no seu volume global — disse o ministro. — Eu estou dizendo que é possível reverter a trajetória da dívida com redução de juros — completou, explicando a referência ao período da pandemia.
Durigan também argumentou que o governo já está dando mostras do compromisso do controle dos gastos públicos, citando a aprovação de um projeto que cria gatilhos de limitação de despesas na semana passada. O primeiro gatilho determina que fundos e demais despesas com vinculações legais a um indexador de receita (RCL) estarão limitadas à regra geral do arcabouço fiscal (aumento real de 0,6% a 2,5%).
O segundo retira da conta da RCL as receitas obtidas com a venda da União de petróleo e gás natural, também limitando o crescimento do piso da saúde. Os gatilhos serão acionados para o ano subsequente sempre que houver previsão de déficit fiscal no último relatório bimestral antes do envio do Orçamento ao Congresso - o que é o caso atual. A expectativa é de redução do gasto obrigatório de mais de R$ 10 bilhões em 2027.
Mais lidas
-
1ARQUEOLOGIA
Estátua de 2,4 mil anos é encontrada sob pavimento romano na Turquia
-
2ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
3TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
IT Forum abre edição de 35 anos com aposta em ecossistemas como nova força da inovação
-
4OBRAS
Governo de Alagoas entrega trecho da rodovia AL-105 restaurada
-
5POLÍTICA
UFRJ revoga título de doutor honoris causa de embaixador americano que articulou golpe de 1964