Finanças
Os 70 anos da Casas Bahia: Slogans-chicletes, fusões, trocas de nome e denúncias da família Klein
Fundada em São Caetano do Sul (SP) nos anos 1950, empresa cresceu impulsionada por compras parceladas no crediário para as classes média e baixa
Ao pedir recuperação judicial com uma dívida de R$ 17,3 bilhões , a Casas Bahia afirma enfrentar uma “pior crise financeira” desde o início do negócio criado pelo polonês Samuel Klein em 1952 .
A empresa cresceu impulsionada principalmente pelas vendas de móveis — quem nunca escolheu a expressão “armário Casas Bahia”? — e itens da linha branca (fogão, geladeira, lava-roupa), focando nas classes C , D e E . Criou slogans-chicletes como “Dedicação total a você” e “Quer pagar quanto?”, mas perdeu fôlego na corrida digital, passando por reveses como denúncias envolvendo a família Klein, crise financeira e reestruturação. Entenda o caminho da companhia até aqui.
Primeiros anos
O passo inicial para a criação das Casas Bahia foi dado por Samuel Klein em 1952 , quando chegou ao Brasil e começou a vender artigos de cama, mesa e banho, envolvendo uma população de trabalhadores migrantes nordestinos.
Crediário
A primeira loja foi inaugurada em 1957 , em São Caetano do Sul. A oferta de produtos cresceu, incorporando os primeiros móveis e eletrodomésticos. A estratégia para garantir vendas e atrair o cliente de classe média ou baixa era a oferta de pagamento parcelado via crediário.
Expansão
A varejista passou décadas expandindo sua atuação no estado de São Paulo. O bordão “Dedicação total a você” surgiu nos anos 1970 e foi utilizado por décadas. Apenas nos anos 1990 , a Casas Bahia iniciou sua expansão para outros estados, começando por Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Via Varejo
Uma outra varejista avançou paralelamente: a Pontofrio (Globex), criada em 1946 e adquirida pelo Grupo Pão de Açúcar em 2009 . Na sequência, essa operação é unida à Casas Bahia. Em 2010 , todos os ativos da companhia da família Klein (lojas, centros de distribuição, a fábrica de móveis Bartira) e as lojas Extra-Eletro do Grupo Pão de Açúcar foram incorporados pela Globex. Finalmente, em 2012 , a companhia foi rebatizada como Via Varejo.
Mudanças societárias
Em 2013 , os Klein reduziram sua participação no capital da companhia ao venderem um percentual de suas ações. Em 2014 , faleceu Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, aos 91 anos . Quatro anos depois, a Cnova — braço das operações digitais de Casas Bahia e Pontofrio — foi integrada à Via Varejo.
O Grupo Pão de Açúcar se aposentou do negócio em 2019 , ao vender sua participação na Via Varejo em leilão na Bolsa. Com isso, a companhia passou a operar como uma corporação, sem um controlador acionista definido. Foi lançado o banco digital BanQi, em parceria com a Airfox.
Investigação na família Klein
Denúncias de crimes sexuais envolvendo o filho caçula de Samuel Klein vieram à tona em 2021 , com base em relatos de diversas mulheres que apontaram a participação do empresário em um esquema de exploração sexual de meninas e adolescentes. Como os relatos indicavam que parte dessas atividades ocorria na sede da empresa, o Ministério Público do Trabalho (MPT) passou a investigar as informações, e o processo segue sob sigilo.
Nome de volta
Após encurtar seu nome e passar a se chamar apenas Via, a companhia retomou o nome Casas Bahia em 2023 , em uma tentativa de reestruturação para voltar às raízes da empresa. O slogan “Dedicação total a você” voltou à cena em uma campanha estrelada por Fabiano Augusto, garoto-propaganda famoso pela frase: “Quer pagar quanto?”.
Recuperação extrajudicial
Em 2024 , a Casas Bahia passou por uma recuperação extrajudicial, conseguindo fechar um acordo com o Bradesco e o Banco do Brasil, seus credores, para reperfilar R$ 4,1 bilhões em dívidas.
Novo controlador
Em abril de 2025 , Michael Klein tentou retornar à empresa. Ele exigiu uma assembleia extraordinária de acionistas para alterar o conselho da companhia, com a intenção de reassumir o controle do colegiado. Filho de Samuel e executivo à frente da empresa na época da criação da Via Varejo, ele deixou a presidência do conselho de administração em 2020 .
Em junho, o varejista anunciou que a Mapa Capital, controladora da Domus, assumiria títulos de dívida (debêntures) da Casas Bahia, conversíveis em ações, que estavam com o Bradesco e o Banco do Brasil. No mês seguinte, um aumento de capital foi realizado por meio da emissão de novas ações entregues à Domus como pagamento pelas debêntures. Atualmente, a Mapa Capital detém 82,11% do capital da empresa.
Recuperação judicial
Após divulgar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano, a Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial, com o objetivo de equacionar R$ 17,3 bilhões em débitos. Em meio aos esforços de recuperação, a companhia já fechou 300 lojas e vem dispensando funcionários.
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