Finanças
No Amapá, Lula afirma que empresa de petróleo depende de pesquisa
Presidente fala sobre a descoberta na Margem Equatorial e crítica a privatizações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, nesta segunda-feira, a polêmica em torno da exploração de petróleo na Margem Equatorial e enfatizou que o poço descoberto pela Petrobras na costa do Amapá está localizado a mais de 500 quilômetros da Foz do Amazonas e a 175 km do litoral.
– Todo mundo aqui sabe da polêmica da Margem Equatorial. Pensei que a gente precisaria derrubar uma árvore para tirar petróleo. E aí fico sabendo que a distância é de mais de 500 km da Foz do Amazonas. Venho para cá, ando 175 km de helicóptero, mar adentro, com um medo muito grande. Me deram um colete que pesava mais do que eu. E fui lá ver a exploração do petróleo – disse Lula, comparando a situação à descoberta do pré-sal pela Petrobras em 2007.
Para o presidente, uma empresa de petróleo não sobrevive sem pesquisa.
– Não é possível imaginar que uma empresa de petróleo consiga sobreviver se não fizer pesquisa. Tem coisas que você só descobre por meio de pesquisa. E isso requer investimento, mesmo sem a certeza de um retorno – afirmou.
A declaração foi feita ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que agradeceu a Lula pela descoberta. Os dois visitaram um navio-sonda da Petrobras que trabalha na exploração na Margem Equatorial, que abrange o litoral do estado. Na última sexta-feira, a estatal anunciou a detecção de sinais de petróleo e gás em um poço perfurado na região.
O presidente também criticou a venda das fábricas de fertilizantes e refinarias pela Petrobras, afirmando que "sonha" em comprá-las.
– Queria entender o que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR Distribuidora, da refinaria da Bahia e do Amazonas. O vendedor deveria receber o Prêmio Nobel de burrice. Esses gestores se acham bons administradores.
Fala de Alcolumbre
No seu discurso, Alcolumbre afirmou que "outros países" desejam "tutelar o Brasil".
– É preciso que nós reconheçamos aqueles que têm enfrentado causas, muitas vezes contestadas ou até criticadas, tanto por brasileiros que não compreendem a importância da soberania energética quanto por países que insistem em querer tutelar o futuro do Brasil e dos brasileiros – disse ele.
Alcolumbre foi um dos principais defensores, junto à Petrobras, dos estudos de exploração de petróleo na região.
– Sob sua liderança como presidente da República e em defesa do Congresso Nacional, afirmamos de uma vez por todas: deixem que nós, brasileiros que lutamos pela defesa do nosso Brasil, decidamos o que queremos. Hoje é mais uma demonstração dessa descoberta que sabemos muito bem onde queremos chegar.
Trata-se da primeira aparição pública de Lula e Alcolumbre após meses de afastamento, devido à derrota imposta pelo Senado ao indicado pelo presidente ao Supremo Tribunal Federal, Jorge Messias, no fim de abril. Lula e Alcolumbre tiveram três encontros recentes, que marcam o início de um processo de reaproximação. O primeiro ocorreu na casa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, e os últimos, na semana passada, no Palácio da Alvorada.
– Dizer ao senhor, presidente Lula, na condição de amapaense e presidente do Congresso: muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo desses anos, enfrentando tudo e todos para que esse projeto chegasse com esta descoberta, que deve ser um orgulho para todos os brasileiros.
O petróleo foi encontrado no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. A perfuração, no entanto, continua em andamento. A empresa precisa avaliar a quantidade de petróleo existente no local e se a exploração poderá ser realizada em escala comercial.
A descoberta é considerada importante, pois a Margem Equatorial é uma das principais apostas da Petrobras para encontrar novas reservas. A área se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e ganhou atenção após descobertas de petróleo na Guiana e no Suriname, países vizinhos.
A exploração na região tem sido alvo de discussões há anos devido aos possíveis impactos ambientais. A Petrobras esperou mais de uma década pela autorização para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas, recebendo a licença do Ibama em outubro do ano passado, após a exigência de diversas medidas de proteção ambiental e resposta a eventuais acidentes.
A Petrobras considera a abertura de novas áreas de exploração como necessária para compensar, futuramente, uma possível queda da produção do pré-sal, que atualmente abriga a maior parte das reservas de petróleo do país.
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