Finanças

Servidores do IBGE entram em greve no Rio e na Bahia em meio a crise entre sindicato e direção

Categoria contesta mudanças em regras de trabalho, progressão de carreira e indenização de campo e acusa gestão de Marcio Pochmann de restringir espaços de participação. Calendário de divulgações não é afetado, diz sindicato

Agência O Globo - 17/08/2026
Servidores do IBGE entram em greve no Rio e na Bahia em meio a crise entre sindicato e direção
IBGE - Foto: Reprodução

Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entraram em greve em unidades do Rio de Janeiro e da Bahia nesta semana, em meio a uma escalada de conflitos entre a categoria e a direção do instituto, comandada por Marcio Pochmann. O movimento é organizado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE) e contesta uma série de decisões recentes da gestão.

No Rio, a paralisação alcança, segundo o sindicato, duas unidades: a sede do IBGE, que paralisou as atividades na semana passada, e a Superintendência no estado, que cruzou os braços nesta segunda-feira. Na Bahia, cerca de 40% do efetivo estão em greve. Outras oito unidades permanecem em estado de greve e devem realizar assembleias para decidir sobre a adesão ao movimento ao longo da semana.

A estratégia, neste momento, segundo o sindicato, é ampliar a mobilização dos servidores e pressionar a direção do instituto a retomar as negociações. Apesar da paralisação, o sindicato afirma que, até o momento, não há indicativo de suspensão ou adiamento das divulgações estatísticas previstas pelo IBGE.

Entre os principais pontos de insatisfação estão mudanças nas regras de trabalho dos servidores que ingressaram no último Concurso Nacional Unificado (CNU), alterações na progressão da carreira e mudanças na remuneração da indenização de campo. Há também questionamentos sobre as condições físicas das unidades e decisões relacionadas à estrutura tecnológica do instituto.

Segundo a ASSIBGE, a mudança no regime de trabalho dos servidores recém-chegados ocorreu pouco antes do fim do período de estágio probatório. De acordo com o sindicato, os aprovados no concurso haviam sido informados de que poderiam ingressar no regime híbrido após um ano. A entidade afirma que uma portaria publicada em julho alterou essa previsão.

O sindicato considera que a mudança foi feita sem discussão prévia com os servidores e afirma ter apresentado um mandado de segurança para suspender os efeitos da medida. Outro ponto que motivou a paralisação é a indenização de campo paga aos servidores que realizam atividades externas. A categoria contesta mudanças nas regras de pagamento e afirma que a alteração ocorreu de forma repentina.

Críticas à gestão

Durante coletiva, representantes da ASSIBGE também fizeram críticas à condução institucional do IBGE. Segundo o sindicato, espaços de participação dos servidores foram reduzidos desde o início da atual gestão. A entidade cita, entre os exemplos, o funcionamento do Conselho Curador, que teria realizado apenas uma reunião neste ano, além de questionar mudanças na Comissão de Governança.

Os trabalhadores ainda questionam um contrato estimado em R$ 80 milhões envolvendo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Segundo a ASSIBGE, a contratação estaria relacionada à transferência de serviços e recursos tecnológicos do instituto. A entidade afirma que o IBGE possui estrutura própria de processamento de dados e que não houve discussão suficiente com o corpo técnico sobre a necessidade da medida.

A gestão também é criticada pelas condições de trabalho nas unidades. O sindicato relata problemas de infraestrutura, como falta de internet e energia, mobiliário inadequado e espaços considerados insuficientes para o trabalho presencial.

A ASSIBGE afirma ter levado parte dos questionamentos ao Tribunal de Contas da União (TCU), além de ter buscado interlocução com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e parlamentares.

* Aluno do curso Futuro do Jornalismo, sob supervisão de Danielle Nogueira