Finanças
Casas Bahia demite três mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto
Número representa 10% dos empregados que a empresa tinha no fim do segundo trimestre. Companhia pede recuperação judicial, com dívida de R$ 17,3 bilhões
A Casas Bahia demitiu cerca de três milhões de funcionários e fechou quase 300 lojas neste mês, conforme divulgado pela empresa na petição inicial relacionada ao pedido de recuperação judicial.
O processo foi protocolado na noite deste domingo (dia 16) no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O grupo possui uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
As demissões e o fechamento de lojas fazem parte da reestruturação da empresa, com a finalidade de reduzir custos operacionais. Os três mil funcionários cobriram 10% do total de trabalhadores que a companhia tinha no final de junho, conforme dados do balanço financeiro do segundo trimestre, divulgados na madrugada deste domingo, após dois adiamentos. Naquele mês, a companhia contava com 30.117 colaboradores.
“A política econômica do Grupo Casas Bahia é cristalina e está sendo abordada por meio de diversas frentes de reestruturação – dentre elas, a redução de custos operacionais com a demissão de cerca de três mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas no presente mês de agosto, além do ajuizamento deste pedido de recuperação judicial como forma de equalizar seu relevante passivo”, afirma a companhia na petição.
Ao solicitar proteção judicial, a empresa busca abrigo contra a cobrança de dívidas por parte dos credores. Se o pedido de aceite, a cobrança e o pagamento de débitos ficam suspensos por 180 dias, prazo que pode ser prorrogado por mais 180 dias.
A intenção é que a companhia tenha tempo para se reestruturar e, posteriormente, saldar suas dívidas. Durante esse período, as operações da empresa continuaram, assim como as vendas de produtos e serviços.
Prejuízo de R$ 10 bilhões
Segundo a Casas Bahia , a decisão de solicitar recuperação judicial foi tomada devido à “deterioração das condições econômico-financeiras” da empresa. O grupo cita, entre os fatores que agravaram a situação, como as elevadas taxas de juros, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro.
O pedido ocorre um dia após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que revelou a crise enfrentada pela companhia. Ela registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, resultado 18 vezes superior ao prejuízo de R$ 555 milhões registrado no mesmo período de 2025.
A companhia já havia solicitado recuperação extrajudicial — solução negociada diretamente com os maiores credores, sem a intermediação da Justiça — em 2024, mas não conseguiu se reerguer.
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