Finanças

O que explica o prejuízo de R$ 10,1 bi da Casas Bahia e o pedido de recuperação judicial

Casas Bahia apresentou as demonstrações financeiras neste domingo com atraso. A divulgação do balanço estava prevista para até sexta-feira.

Agência O Globo - 17/08/2026
O que explica o prejuízo de R$ 10,1 bi da Casas Bahia e o pedido de recuperação judicial
Casas Bahia - Foto: Reprodução / internet

A Casas Bahia fechou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões . Em termos ajustados, o resultado negativo do varejista somou R$ 978 milhões (alta de 76% ). Diante da pressão financeira, o grupo admitiu em balanço trimestral a possibilidade de entrar em recuperação judicial ou extrajudicial.

Posição da EY:

Endividado?

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1.278 bilhão no trimestre, ante R$ 1.147 bilhão no segundo trimestre de 2025, ainda específicos pelo aumento do custo de capital no Brasil.

Segundo os dados divulgados pela companhia neste domingo, o resultado foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes como baixa de ativos, gastos com reestruturação, contratos não performados e IR diferido.

Já a receita líquida da companhia cresceu 1,6% , para R$ 6,97 bilhões . O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustou recuou para R$ 518 milhões (- 9,4% ).

No relatório que acompanha as projeções financeiras, a Casas Bahia diz que "diante de um ambiente de crédito mais restritivo e de um cenário macroeconômico mais adverso do que o previsto, com taxas de juros ainda elevados, consumo das famílias resistentes e disputa crescente pelo orçamento doméstico, inclusive das apostas on-line (bets)'', intensificou o redimensionamento da companhia na segunda fase do seu plano de transformação, "priorizando canais e categorias de maior margem e rentabilidade, redução do emprego de capital e o custo de financiamento, de formar a fortalecer a geração de caixa livre e garantir uma operação sustentável e autofinanciável”.

CEO das Casas Bahia:

Esta nova fase de restrição inclui o fechamento de lojas, a adequação dos estoques e do capital de giro e do quadro de funcionários.

De acordo com o relatório da Casas Bahia, até agora foram fechadas 298 lojas , considerando, entre outros fatores, o desempenho operacional, a necessidade de capital empreendedor e o retorno econômico de cada uma delas. O balanço mostra que a empresa tinha no fim de junho um quadro de pessoal de 30.117 colaboradores , 1.622 a menos do que no início do ano passado.

Reportagem publicada pelo Valor aponta que, além do fechamento das lojas, a Casas Bahia demitiu cerca de duas mil pessoas na sexta-feira, enquanto grandes fornecedores acionaram suas equipes jurídicas para verificar se a companhia busca alguma medida de proteção judicial de seu negócio.

No LinkedIn, havia muitos relatos de funcionários atingidos pela missão em massa, desde trabalhadores com pouco tempo de casa até aqueles com mais de duas décadas de experiência no grupo.

A companhia informou ainda que está revisando os níveis e a composição dos estoques, o sortimento e os volumes de compras, buscando melhorar o capital de giro e reduzir estruturalmente a necessidade de capital empregado.

Além disso, além do quadro de colaboradores, está adequando sua estrutura organizacional ao novo dimensionamento da operação, além de revisar contratos, despesas gerais e administrativas, investimentos e demais desembolsos, buscando uma estrutura de custos compatível com o nível esperado de atividade e geração de caixa.

Capital:

A divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre da empresa foi adiada duas vezes. A previsão inicial era na quarta-feira, foi adiada para sexta-feira e acabou só acontecendo neste domingo. O atraso no fornecimento de informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prevê o pagamento de multa ordinária.

Avaliação de medidas adicionais

Em seu relatório, a administração da Casas Bahia diz que continua avaliando alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas adicionais, considerando a evolução da posição financeira da companhia, suas projeções de fluxo de caixa, as negociações com seus stakeholders e as condições dos mercados financeiros e de capitais.

E alerta que a implementação das iniciativas acima está sujeita a riscos de execução e, em determinados casos, à negociação, concordância ou participação de terceiros, não tendo garantia de que produzirão os resultados esperados nos montantes ou prazos considerados pelo diretoria.

Dentre as medidas avaliadas pela companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial.

A empresa destaca que poderá revisar, ampliar ou acelerar as medidas previstas nesta nova fase, bem como avaliar e adotar medidas adicionais que considerem comentários, "em função da evolução da posição de liquidez, das projeções de fluxo de caixa, das negociações com credores e parceiros comerciais e das condições de mercado".

Em 2024, com R$ 4,1 bilhões em dívidas, a Casas Bahia passou por um processo de recuperação extrajudicial.