Finanças

Casas Bahia solicita recuperação judicial após prejuízo de R$ 10,1 bilhões

Decisão foi aprovada pelo conselho de administração; varejista atribui crise a juros altos e consumo em baixa

Agência O Globo - 17/08/2026
Casas Bahia solicita recuperação judicial após prejuízo de R$ 10,1 bilhões
Casas Bahia - Foto: Reprodução / internet

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial neste domingo (16), um dia após divulgar um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e alertar sobre a possibilidade de recorrer à Justiça para reorganizar suas dívidas. O pedido foi aprovado pelo conselho de administração e pelo acionista controlador do varejista.

Casas Bahia tem prejuízo

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia informou que o processo foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.

Segundo a Casas Bahia, a decisão foi tomada diante da “deterioração das condições econômico-financeiras” da empresa. O grupo cita, entre os fatores que agravaram a situação, como taxas de juros elevados, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro.

Além da própria Casas Bahia, o pedido engloba nove empresas do grupo: ASAP Log – Logística e Soluções, ASAP Log, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística, Cntlog Express Logística e Transporte, Globex Administração e Serviços, Cnova Comércio Eletrônico, Integra Soluções para Varejo Digital, Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira.

A decisão representa um novo capítulo na tentativa de reestruturação financeira do varejista. Em 2024, quando acumulou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas, a Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões

O pedido ocorre um dia após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que expõe a restrição das contas da companhia. A Casas Bahia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, resultado negativo 18 vezes superior aos R$ 555 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Em termos ajustados, o prejuízo ficou em R$ 978 milhões , alta de 76% na comparação anual. Segundo a companhia, aproximadamente R$ 9,1 bilhões de resultado foram provocados por eventos não recorrentes, entre eles baixa de ativos, despesas de reestruturação, contratos não performados e efeitos relacionados ao Imposto de Renda diferido.

O resultado financeiro líquido também coincide, ficando negativo em R$ 1,278 bilhão , ante R$ 1,147 bilhão no segundo trimestre do ano passado. A companhia atribuiu parte da pressão ao elevado custo de capital no país.

A receita líquida, por outro lado, avançou 1,6% , alcançando R$ 6,97 bilhões . Já o Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização — rendeu 9,4% , para R$ 518 milhões .

O divulgado no domingo já mencionou explicitamente a possibilidade de uma recuperação judicial ou de uma nova recuperação extrajudicial. A administração afirmou que avaliou "alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas adicionais" diante da situação de liquidez e das projeções de fluxo de caixa.

A auditoria da EY também destacou, no olhar que acompanha as projeções financeiras, uma "incerteza relevante relacionada à continuidade operacional" da companhia.

Lojas fechadas e redução de funcionários

A Casas Bahia atravessa um processo de enxugamento de suas operações. Até o fim de junho, 298 lojas foram fechadas. Segundo a empresa, foram considerados fatores como desempenho operacional, necessidade de capital e retorno econômico de cada unidade.

O número de funcionários também caiu. O grupo fechou junho com 30.117 colaboradores , 1.622 a menos do que no início do ano passado. Na sexta-feira, cerca de dois mil funcionários foram demitidos, segundo o "Valor Econômico". As relações de desligamentos se multiplicaram nas redes sociais, incluindo profissionais que trabalharam há décadas na companhia.

Além da redução da estrutura física e do quadro de pessoal, o varejista especializado está revendendo estoques, volumes de compras, contratos, despesas administrativas e investimentos.

A companhia afirma que a estratégia busca reduzir a necessidade de capital, melhorar a geração de caixa e concentrar a operação em canais e categorias de maior margem e rentabilidade.