Finanças

Mensalidade escolar pode subir entre 7% e 11%, aponta pesquisa. Veja dicas para negociar valor

Estudo realizado pela Meira Fernandes Contabilidade e Gestão aponta que nove em cada dez escolas privadas vão ter um aumento nos seus valores

Agência O Globo - 17/08/2026
Mensalidade escolar pode subir entre 7% e 11%, aponta pesquisa. Veja dicas para negociar valor
Mensalidade escolar pode subir entre 7% e 11%, aponta pesquisa. Veja dicas para negociar valor - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Embora faltem ao menos quatro meses para 2027, algumas questões práticas do próximo ano já podem ser corrigidas. Uma delas é a mensalidade escolar . Uma pesquisa nacional, à qual o EXTRA teve acesso, revela que nove em cada dez instituições particulares de ensino vão reajustar suas mensalidades no ano que vem. Dessas, 80,66% aplicarão um índice entre 7% e 11%. O estudo foi realizado por Meira Fernandes Contabilidade e Gestão , que avaliou cerca de 1.500 escolas.

Entre as instituições pesquisadas, 44,2% estimam um aumento entre 9% e 11%. Outros 36,46% devem concordar com mensalidades de 7% a 9%, enquanto 11,60% podem adotar percentuais entre 1% e 7%. Alguns extremos também foram registrados: 7,18% podem ultrapassar os 12% de reajuste, enquanto apenas 0,5% não pretendem alterar os valores cobrados.

— Não existe um único fator que justifique o aumento, mas um conjunto de pressões que se acumulam. O objetivo das escolas é manter a qualidade do ensino e garantir a sustentabilidade da operação diante de um cenário de custos cada vez mais elevados—afirmo a diretora jurídica de Meira Fernandes, Mabely Meira Fernandes .

Entre esses fatores, o especialista cita a folha salarial e as convenções coletivas, que definem as recomposições e os reajustes concedidos aos profissionais da Educação. Ela menciona também o Decreto 2.686/2025 , que institui a educação especial inclusiva.

Desde que essa política entrou em vigor, afirma ela, 90,96% das escolas registradas cresceram na demanda de alunos que participaram de acompanhamento individualizado, formação específica de equipes, adaptação de materiais ou ampliação de profissionais. A contratação de profissionais também é mencionada, ao mesmo tempo em que as instituições enfrentam dificuldades para encontrá-los e mantê-los.

Atraso na mensalidade é pesadelo

Outros fatores que somam aos custos incluem investimentos em segurança e cidadania digital, segundo Mabely .

— Quando somamos todos esses custos estruturais, percebemos que o reajuste das mensalidades busca recompor um orçamento apertado e não gera um ganho adicional para as instituições— explicado.

O estudo aponta que as escolas continuam pagando folhas, encargos, fornecedores e custos pedagógicos, mesmo com a instabilidade nas mensalidades. Ou seja, o orçamento é gasto, mas muitas vezes sem ser recomposto com o mesmo compromisso.

Mais da metade das instituições consultadas (51,93%) registraram atrasos entre 2% a 5% da receita mensal no primeiro semestre. A situação pode se agravar na virada do ano, com 21,67% das escolas projetando inadimplência acima de 6% entre o fim de 2026 e início de 2027:

“O período coincide justamente com as maiores despesas do calendário das instituições particulares, que honra precisar com: 13º treinamento, férias, encargos, preparação das unidades, aquisição de materiais e investimentos necessários para o início do novo ciclo letivo.”

Pais sofridos para fechar contas

Na outra ponta, estão os pais e responsáveis ​​preocupados com o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Muitos não sabem como acomodar as mensalidades reajustadas em seus orçamentos, especialmente porque os índices estimados estão acima de alguns indicadores de inflação, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) , que fechou em 4,26% em 2025.

— O IPCA , por exemplo, mede uma cesta de produtos que, em geral, não é a mesma que atende às necessidades escolares. Este é o problema principal - explicado pelo vice-diretor do Colégio-Curso Tamandaré , Antonio Henrique .

No entanto, o planeamento pode ser uma resposta eficaz.

— Minha filha já estuda na escola há cinco anos. O reajuste anual sempre varia de R$ 30 a R$ 50, e eu me programo dentro dessa faixa. No ano passado, pagou R$ 428. Agora, R$ 445. Não foi um aumento tão grande— diz a assistente administrativa Luciane Beatriz Prediger , de 46 anos.

Especialistas também afirmaram que é possível negociar com a escola.

— Antes de falar sobre dinheiro, tenha uma conversa honesta com seus filhos. Pergunte sobre a escola, se você gosta, se está feliz. Isso pode influenciar uma eventual mudança de instituição – orienta o presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira (Abefin) , Reinaldo Domingos .

A partir dessa conversa, é importante olhar para o próprio orçamento para avaliar os passos próximos e o que solicitar na negociação. Para auxiliar nesse processo, o EXTRA listou as condições de seis escolas em relação aos reajustes, dados de rematrícula e bolsas de estudo.

Quer negociar um desconto? Confira dicas dos especialistas

Tem dois ou mais filhos? Tente bolsas de estudo ou descontos

Quem possui mais de um filho na escola, por exemplo, pode tentar negociar bolsas de estudo ou descontos progressivos. Como a escola busca manter os alunos, a possibilidade de perder não apenas um, mas dois ou três, pode ser favorável nessa negociação.

— Irmãos costumam ter entre 5% e 15% de abatimento nas mensalidades— afirma José Trigo , economista e professor de mestrado em Administração da Estácio.

Contas em dia trazer peso ao argumento

Demonstrar que você é um bom pagador pode auxiliar na negociação, sugere o economista e professor da Estácio . Os alunos que não atrasam mensalidades possuem uma margem de negociação mais forte.

Bate-papoto

Seja transparente e explique à escola sua situação. Procure agendar uma conversa presencial, se possível, orienta Reinaldo Domingos . O esforço de uma reunião face a face pode valer a pena. Muitas vezes, uma criança já estuda há bastante tempo na mesma instituição, e essa atribuição pode ser levada em conta na hora da negociação.

Cuidado com as capturas!

Nunca critique uma escola durante uma negociação. O ideal é elogiar a instituição de ensino e demonstrar que deseja manter uma criança ou adolescente matriculado, explica Domingos .

Um dia de cada vez

Busque conceber uma negociação como algo temporário. É viável tentar um desconto para o primeiro semestre e combinar com a escola a possibilidade de retomar o diálogo para o segundo.

Não deixe para a última hora

Inicie a negociação logo no período de rematrícula escolar, uma vez que, caso receba um “não” da instituição, haja tempo para voltar e tentar uma nova conversa.

Faça o dever de casa antes

Antes do encontro, pesquise sobre outras escolas concorrentes, o que pode apoiar a sua argumentação, oriente os especialistas em finanças. Quais são as instituições concorrentes e o que elas estão oferecendo em termos de inovação pedagógica?

É fundamental que os responsáveis ​​conheçam pelo menos cinco escolas na região, caso tenham essa possibilidade. Isso fortalece os argumentos utilizados na negociação. Segundo especialistas, o profissional presente para negociar compreenderá que, se não fizer uma proposta adequada, o aluno poderá se transferir.

— Isso muda a dinâmica da negociação— explica o presidente da Associação Brasileira dos Profissionais de Educação Financeira (Abefin) .

Reduza os gastos

Busque identificar excessos no orçamento familiar que podem ser cortados e redirecionados para a mensalidade.

Que tal pagar à vista?

Se possível, ofereça o pagamento à vista, sugira os especialistas. Nesses casos, geralmente é viável negociar um desconto significativo na mensalidade anual.

— O responsável pode informar que gostaria de quitar o ano todo, mas solicitar a autorização da matrícula ou o equivalente a uma mensalidade, por exemplo. As escolas costumam valorizar esse tipo de proposta, pois querem antecipar recebíveis— diz Domingos .