Finanças
Foz do Amazonas: saiba mais sobre a região onde a Petrobras encontrou indícios de petróleo e gás
A Margem Equatorial é a principal aposta da Petrobras para abrir uma nova fronteira exploratória. Porém, a região, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, está envolta em polêmicas ambientais.
Após anos de espera para obter a licença para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas, a Petrobras anunciou ontem que encontrou investidores de petróleo ou gás natural na região.
Cenário:
Desde 2010, o poço Tupi já alcançou 4 bilhões de barris produzidos.
O poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá, em uma profundidade de 2.886 metros.
A Margem Equatorial é a principal aposta da Petrobras para abrir uma nova fronteira exploratória. Porém, a região, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, está envolta em polêmicas ambientais.
O que é a Margem Equatorial?
A Margem Equatorial é uma região marítima no norte da América do Sul, que se estende da Guiana ao Rio Grande do Norte, na costa do Brasil, com alto potencial petrolífero. Na Guiana e no Suriname, países vizinhos do Brasil e contíguos a essa área, já foram descobertas grandes reservas de petróleo, reforçando a expectativa de depósitos petrolíferos relevantes também no lado brasileiro.
Maior descoberta no país:
No Brasil, se forem confirmadas as projeções da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a Margem Equatorial pode ampliar em mais de 50% as reservas provadas do país.
O que é a Bacia da Foz do Amazonas?
A Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, é uma das cinco bacias que integram a Margem Equatorial no Brasil. Apenas uma dessas cinco bacias, a Potiguar, já tem exploração de petróleo.
Na Margem Equatorial, o maior interesse da Petrobras está localizado na Bacia da Foz do Amazonas. A área foi licitada em 2013, durante a 11ª Rodada de Licitações, por um consórcio formado pela Petrobras e pela britânica BP.
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O pedido de licenciamento foi iniciado em 2014. Em 2020, a Petrobras assinou o bloco todo ao comprar a participação da BP, que desistiu do projeto por não conseguir o aval do órgão ambiental.
Por ser uma área ambientalmente sensível, a licença do Ibama para a Bacia da Foz do Amazonas só foi concedida após o cumprimento de várias exigências, como a construção de centros de reabilitação e despetrolização de fauna, estruturas dedicadas ao resgate e ao tratamento de animais marinhos em caso de incidentes.
Perfuração em curso
Somente no final de 2025, o estatal, após forte pressão sobre o governo, obteve licença do Ibama para perfurar o primeiro poço, chamado de Morpho, localizado a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá.
De olho no potencial da área, a Petrobras iniciou a ação no dia em que obteve o aval do Ibama, em 20 de outubro.
5,8 milhões de bairros por dia:
Nessa fase, o navio-sonda instala tubos de aço até o leito do oceano, a 2.880 metros de profundidade. Depois, brocas perfuraram as rochas até ao ponto onde a companhia espera encontrar o reservatório, a mais de 3 mil metros de profundidade.
Entenda, agora, quais são as principais etapas da exploração do petróleo e como a Petrobras vai atuar na região.
Sísmica
É a primeira etapa de um processo de exploração de petróleo e consiste em estudos detalhados da região. Funciona assim: um navio lança cabos com sonares, que emitem ondas sísmicas. Outra embarcação captura essas ondas para ter imagens do solo analisadas, como uma espécie de tomografia.
Duas décadas após a descoberta do pré-sal:
A partir daí, geofísicos e geólogos interpretam os dados para estimar o potencial de petróleo. Esta etapa já foi realizada na Margem Equatorial.
Exploração
É aqui que entra em ação a primeira broca. Os métodos da fase sísmica são indiretos. Para saber a previsão de fato da região, é preciso perfurar os poços. É nesta fase que a Petrobras está agora. É um processo complexo que, em sua última etapa, usa uma broca de diamante.
Produção
Se as informações coletadas na fase de exploração levarem à conclusão de que há uma jazida e previsões econômicas para retirar petróleo e gás natural, pode ser necessário perfurar outros poços para dimensionar a reserva. O passo a seguir é apresentar um plano de desenvolvimento à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e ao Ibama.
Com o aval dos órgãos, a empresa contrata sistemas de produção, definindo o número de navios-plataformas (FPSOs) e sistemas submarinos a serem utilizados.
Se a estimativa da EPE se confirmar, a Bacia da Foz do Amazonas pode levar o Brasil ao grupo dos quatro maiores produtores de petróleo do mundo a partir de 2030, chegando a 5 milhões de bairros diários.
Nova fronteira petrolífera
Os especialistas afirmam que a exploração do petróleo na Margem Equatorial pode abrir uma nova fronteira para o Brasil, um marco histórico como foi o pré-sal e, antes disso, a Bacia de Campos.
Os desafios agora são diferentes. Na Bacia de Campos, cujas descobertas coincidiram com o choque internacional de petróleo, quando países árabes reduziram significativamente sua produção, houve o desafio tecnológico de exploração de petróleo em águas profundas. Na ocasião, a Petrobras colocou em operação a primeira plataforma flutuante do mundo.
No pré-sal, a expertise em exploração no mar alcançou outro patamar: o das águas ultraprofundas, onde a profundidade total dos poços ultrapassa 7 mil metros, o equivalente à altura do ponto mais alto da Cordilheira dos Andes, no Chile. E com um complicador: a camada de sal a ser atravessada.
Desafios ambientais
Se na Bacia de Campos e no pré-sal as águas profundas e a distância da costa eram grandes desafios tecnológicos, na Margem Equatorial ainda há dificuldades logísticas e ambientais. A região é contemporânea como de elevada sensibilidade ecológica, segundo ambientalistas e o Ibama, por abrigar um ecossistema marinho diverso, com recifes e espécies ameaçadas de extinção, como o peixe-boi-marinho, o boto-cinza e o boto-vermelho, entre outros.
Como exigência do Ibama, a estatal construída dois Centros de Reabilitação e Despetrolização de Fauna — estruturas dedicadas ao resgate e tratamento de animais marinhos em caso de incidentes.
O Ibama chegou a enfatizar, em seu parecer que divulgou a detalhe, que é preciso dar atenção especial aos peixes-boi na região, que estariam sob ameaça. Também é considerada sensível a grande quantidade de equipamentos manguezais na costa do Amapá, com cerca de 141 mil hectares, aproximadamente 2% da área do estado.
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