Finanças

Não é punir EUA, mas fazer com que retirem uma punição descabida, diz Celso Amorim sobre reciprocidade

Na quinta-feira, governo brasileiro informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade

Agência O Globo - 14/08/2026
Não é punir EUA, mas fazer com que retirem uma punição descabida, diz Celso Amorim sobre reciprocidade
Celso Amorim

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim , afirmou que o governo busca que os Estados Unidos se aposentam ou ao menos atenuem o tarifaço sobre produtos brasileiros. Amorim destacou que a medida não tem viés de proteção, mas visa mobilizar os EUA para rever as avaliações econômicas.

Nesta quinta-feira, o governo brasileiro notificou os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país. O Brasil foi sancionado com duas tarifas pela gestão de Donald Trump: uma de 25% , especificamente para o Brasil, e outra de 12,5% , que atinge também outras nações. As taxas se somam, embora haja abordagens para determinados produtos da pauta exportadora.

— A verdade é que os EUA são administrados de maneira imprevisível, não posso ter certeza objetiva. Não é punir os EUA, mas fazer com que retirem uma proteção descabida em relação às exportações brasileiras. Estamos seguros dentro da lei e das regras — disse Amorim ao GLOBO .

O governo deve ter cautela na aplicação efetiva de taxas equivalentes.

— São dois procedimentos independentes. A reciprocidade não é questão moral, é prática econômica. Quem está totalmente fora dos procedimentos multilaterais são os EUA, e nossa preferência é resolver tudo pela OMC (Organização Mundial do Comércio). A gente sabe a importância da OMC e somos contra a fragmentação comercial internacional. Agora, quando as pessoas pisam no nosso pé, temos que responder.

O processo tem como base a Lei da Reciprocidade Econômica sancionada em 2025 após ampla aprovação pelo Congresso Nacional. “As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, afirmou nota divulgada pelo Palácio do Planalto. “O Ministério das Relações Exteriores está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas”, diz o texto.

O Planalto reforçou que busca saídas diplomáticas para evitar a adoção das tarifas. “As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais”, afirma.

Amorim esclareceu que a adoção da medida prevê um tempo burocrático e espera que seja rapidamente comprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) , órgão do governo federal brasileiro que define as regras do comércio com outros países.

— Um país que é agredido pelo ponto de vista econômico, que é atacado e que sofre restrição tarifária tem direito de dar uma resposta. É de maneira objetiva, não é retaliar por retaliar, mas quem sabe retirar a medida original, como já fez antes quando sentiram que faziam mais mal a eles do que para nós — avaliou o auxiliar de Lula .