Finanças

Abertura de processo de reciprocidade marca mais um capítulo negativo da relação Lula x Trump

Ao longo de um ano e meio de convivência como presidentes, os dois acumularam conflitos e momentos de aproximação.

Agência O Globo - 14/08/2026
Abertura de processo de reciprocidade marca mais um capítulo negativo da relação Lula x Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: Ricardo Stuckert/PR

A abertura pelo Brasil do processo de reciprocidade contra os Estados Unidos, em decorrência do tarifaço, representa mais um capítulo negativo na relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Ao longo de um ano e meio de convivência como presidentes dos maiores países democráticos do Ocidente, os dois acumularam choques, intercalados por alguns momentos de demonstração de simpatia e aproximação.

Confira abaixo as idas e vindas dos dois mandatários:

Lula apoia Kamala

Durante o processo eleitoral dos EUA, no segundo semestre de 2024, o presidente brasileiro declarou apoio à democrata Kamala Harris, adversária de Trump.

Trump retira embaixadora do Brasil

Após tomar posse em janeiro de 2025, o presidente americano não nomeou um embaixador para o Brasil. Elizabeth Bagley, indicada pela gestão do democrata Joe Biden, deixou o cargo após Trump assumir o poder, e a representação diplomática no país passou a ser comandada por um encarregado de negócios.

Trump anuncia tarifaço de 50%

Em julho do ano passado, Trump decretou o tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros exportados aos EUA, justificando sua decisão com uma suposta “perseguição” na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela participação na tentativa de golpe de 2023. Lula reagiu de forma dura.

Encontro nos bastidores da Assembleia da ONU

Um breve encontro de 39 segundos nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em setembro do ano passado, alterou o rumo da relação. Trump revelou minutos após o discurso que tiveram “uma química excelente”.

Ligações e encontro na Malásia

A química resultou em telefonemas entre os dois e em um encontro em outubro na Malásia. O americano chegou a relaxar o tarifaço, retirando alguns produtos e excluindo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, das sanções previstas na Lei Magnitsky, que visa punir estrangeiros.

Visita de Lula à Casa Branca

Em maio, Lula viajou aos Estados Unidos para um encontro de três horas, que incluiu um almoço, com Trump na Casa Branca. A visita parecia ter selado um período de harmonia entre os presidentes.

Classificação de facções

Porém, 20 dias após o retorno de Lula ao Brasil, os EUA classificaram as facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas, desconsiderando os apelos do governo brasileiro para que a medida não fosse tomada.

Novas tarifas

A sequência de medidas americanas prosseguiu com a proposta de taxação de 25% sobre os produtos brasileiros, depois de uma investigação comercial, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana em junho. Logo em seguida, foi anunciada a conclusão de uma apuração sobre supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado” em 60 países, incluindo o Brasil, sugerindo uma tarifa de 12,5%. O tarifaço anterior de 2025 havia sido derrubado pela Suprema Corte americana.

Problemas com embaixadores

Em junho deste ano, Trump indicou Daniel Pérez para ser embaixador no Brasil. Contudo, ao contrário do que prevê a Convenção de Viena, fez o anúncio antes de enviar ao país o agrément, um documento sigiloso de consulta para verificar se há objeções ao indicado. O agrément foi enviado no final daquele mês. O Brasil aprovou a nomeação e, como retaliação, os Estados Unidos mudaram o status do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, que agora não possui mais o direito de entrar e sair do país livremente.

Abertura do processo de retaliação

O governo brasileiro informou ter notificado nesta quinta-feira os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país.