Finanças
Governo Lula anuncia abertura de reciprocidade por tarifaço de Trump e notifica EUA
Planalto enfatiza que continuará a buscar os canais diplomáticos para reverter taxação
O governo brasileiro informou que notificou nesta quinta-feira os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país.
“O Ministério das Relações Exteriores está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas,” afirma a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom).
O processo tem como base a Lei da Reciprocidade Econômica sancionada em 2025. “As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis”, diz a nota.
O Planalto reforçou que busca saídas diplomáticas para evitar a adoção das tarifas. "As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais", afirma.
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos à parte dos produtos brasileiros exportados para aquele país começou a valer no dia 22 de julho. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida atinge 15% do volume exportado para os EUA em 2025, ou US$ 5,8 bilhões, sendo que os setores mais impactados são madeira, móveis, máquinas e equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar.
O novo tarifaço foi adotado após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela política comercial do país, sobre supostas práticas “desleais” do Brasil que prejudicam as empresas americanas. A administração de Donald Trump citou, por exemplo, o Pix, o desmatamento, corrupção, entre outros argumentos — todos rebatidos pelo governo brasileiro. "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou consistentemente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, e apresentou evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio do Brasil", afirma a nota divulgada pelo governo brasileiro nesta quinta-feira.
O Planalto ainda se compromete a continuar a buscar medidas para reduzir os danos do tarifaço para a economia brasileira. "O governo do Brasil seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas dos Estados Unidos à economia e à renda dos brasileiros. Continuaremos a defender o multilateralismo e a reforma da Organização Mundial de Comércio (OMC), e seguiremos trabalhando pela diversificação de parcerias comerciais e abertura de novos mercados para nossos produtos. Manteremos medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas por meio do Plano Brasil Soberano, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional".
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