Finanças
Juiz que atuava na falência do Banco Santos é afastado pelo CNJ após gravação de reunião com herdeiros
Decisão de Mauro Campbell ocorreu após reportagem do Estadão revelar conversa em que Paulo Furtado teria sugerido venda do banco ao Master
O corregedor-nacional de Justiça, Mauro Campbell, afastou do cargo o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências de São Paulo, responsável pelo processo de falência do Banco Santos. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (12), após o jornal Estadão divulgar uma gravação de uma reunião em que o magistrado teria sugerido aos herdeiros do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira a venda do banco ao Master, de Daniel Vorcaro, além da contratação de advogados pela família.
Disputa:
Entenda:
Os detalhes da decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estão sob sigilo.
A reunião ocorreu em agosto de 2024, meses após a morte de Edemar, sem a presença da defesa dos herdeiros. Participaram os três filhos do ex-banqueiro: Rodrigo, Eduardo e Leonardo. Na ocasião, segundo a gravação divulgada pelo jornal, Furtado sugeriu mais de uma vez que a venda ao Master seria a melhor alternativa para encerrar a falência.
O magistrado também teria afirmado que a família poderia deixar o processo e abrir mão de ações de responsabilização movidas contra os herdeiros de Edemar. O encontro foi organizado pelo então administrador judicial da massa falida, Vânio Aguiar, que não tinha procuração para representar nenhuma das partes.
O afastamento ocorre após uma série de medidas adotadas pelo CNJ em relação à falência do Banco Santos. Em julho, Campbell havia determinado a suspensão do processo de falência e afastado Vânio Aguiar da administração, atendendo a um pedido da família de Edemar. Os herdeiros também haviam pedido o afastamento de Furtado, que foi mantido no cargo naquela ocasião.
A falência do Banco Santos se arrasta há mais de duas décadas na Justiça paulista. Fundado por Edemar Cid Ferreira, o banco sofreu intervenção do Banco Central em 2004, quando o rombo estimado era de cerca de R$ 700 milhões. No ano seguinte, Vânio Aguiar, então chefe do Departamento de Supervisão do BC, foi nomeado liquidante e posteriormente responsável pelo pedido de falência.
O processo foi marcado por disputas em torno do patrimônio de Edemar, incluindo o bloqueio de bens no exterior e o leilão de obras de arte e de uma mansão. O ex-banqueiro chegou a ser preso e condenado pela Justiça Federal a 21 anos de prisão por crimes como formação de quadrilha, gestão fraudulenta, desvio, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Posteriormente, conseguiu a anulação da ação em que havia sido condenado e foi absolvido em outro processo criminal.
Edemar morreu em janeiro de 2024, aos 78 anos, após anos de disputas judiciais envolvendo a massa falida do Banco Santos.
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