Finanças

Descontos indevidos no INSS: dirigente de entidade que estava foragido se entrega à PF e é preso

Presidente da Conafer estava foragido desde novembro do ano passado, após ser alvo da nona fase da Operação Sem Desconto

Agência O Globo - 13/08/2026
Descontos indevidos no INSS: dirigente de entidade que estava foragido se entrega à PF e é preso
INSS

A Polícia Federal (PF) prendeu, na noite desta quarta-feira (dia 12), Carlos Roberto Ferreira Lopes , presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Ele é investigado da Operação Sem Desconto , que apura irregularidades em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Lopes foi apresentado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal e será encaminhado ao sistema prisional. Em 17 de novembro de 2025, ele foi alvo de um mandado de prisão, mas não foi encontrado. Por isso, foi considerado foragido. Em julho deste ano, foi indicado pela PF.

A Conafer é apontada pela Polícia Federal como peça central de um esquema de filiações falsas e cobranças não autorizadas a beneficiários do INSS, movimentando milhões de forma irregular para sindicatos e associações, sem a devida autorização de aposentados e pensionistas.

No mês passado, a PF concluiu a primeira investigação da Operação Sem Desconto, quando foram indicadas, ao todo, 48 pessoas, incluindo o presidente da Conafer.

Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto , o ex-procurador-geral do Órgão, Virgílio de Oliveira Filho , o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis , e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes , conhecido como "Careca do INSS".

Entenda

A PF inveja ao Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório final sobre o núcleo da Conafer no esquema. No documento, que embasou o indiciamento de 48 pessoas, a corporação descobriu que o esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS concedeu o desvio de mais de R$ 708 milhões de aposentados e pensionistas.

De acordo com a PF, os recursos eram direcionados para empresas de fachadas e utilizados para enriquecimento ilícito e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.

A investigação aponta que a estrutura era liderada pelo presidente da Conafer e contava com operadores financeiros, empresários, dirigentes da entidade e agentes públicos. Segundo a PF, parte dos recursos também foi destinada ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos para garantir o funcionamento do esquema.

Em setembro do ano passado, Lopes chegou a ser preso pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS após o comando da comissão avaliar que ele mencionou durante o depoimento. Lopes ficou custodiado em uma sala no Senado e foi solto após pagar fiança.